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China silencia críticos 15 anos após massacre
Polícia chinesa cerca grupo de pessoas na praça da Paz Celestial, 03-06-04
A polícia está frustrando tentativas da população de marcar a data
Um importante médico chinês que criticou o Partido Comunista da China por seu envolvimento no massacre na Praça da Paz Celestial, em 1989, desapareceu às vesperas do 15º aniversário do acontecimento.

Jiang Yanyong é um entre vários críticos em potencial que teriam sido removidos de Pequim ou colocados sob prisão domiciliar antes do aniversário do acontecimento, nesta sexta-feira.

Grupos pelos direitos humanos pediram à China que reavalie sua atuação durante os protestos.

Centenas de pessoas foram mortas quando tropas e policiais armados abriram fogo contra manifestantes reunidos na praça.

Sars

Jiang Yanyong foi o primeiro médico a denunciar tentativas, pelo governo chinês, de alterar os números oficiais sobre a propagação do vírus da Sars (sigla em inglês para Síndrome Respiratória Aguda Grave), encobrindo a gravidade da epidemia.

Em fevereiro de 2004, ele causou mais embaraço às autoridades quando escreveu uma carta aos líderes máximos do país pedindo que admitissem erros na forma como lidaram com os protestos em 1989.

Jiang e sua esposa não aparecem em sua casa em Pequim desde o dia 1º de junho, de acordo com a filha do casal, Jiang Rui.

“Não queremos especular a respeito do que aconteceu aos nossos pais, mas acreditamos que as autoridades do Hospital Militar 301 de Pequim estão deliberadamente ocultando informações de nós”, ela disse à agência Reuters.

Jiang Rui pediu que seja feita uma investigação.

Outros desaparecidos

Jiang Yanyong e sua esposa não são os únicos a ter desaparecido nos dias que antecedem o aniversário do massacre.

Outro conhecido ativista, Liu Xiaobo, não pôde ser contatado e, de acordo com o Centro de Informações sobre Direitos Humanos e Democracia, em Hong Kong, pode também ter sido levado para fora da capital.

A ativista King Zilin, que representa as mães que perderam filhos no massacre, disse à agência de notícias France Presse: “Estou sendo observada 24 horas por dia. Um carro está estacionado bem em frente à minha casa.”

Manifestantes

Universidades estão sendo monitoradas para prevenir eventos lembrando o aniversário.

Segundo a correspondente da BBC em Pequim, as medidas demonstram que o governo chinês está ansioso em relação à data.

A China reagiu com irritação a planos do Congresso americano de aprovar uma resolução que condena a supressão das manifestações de 1989 pelo governo chinês.

“Há um punhado de pessoas no Congresso dos Estados Unidos que não agüentam o que acontece na China, e eles estão usando todos os tipos de pretextos para difamar a China”, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Liu Jianchao.

A organização Anistia Internacional também pediu um inquérito sobre o massacre na Praça da Paz Celestial, dizendo que os responsáveis deveriam ser julgados e justiça feita.

Nossa correspondente, no entanto, diz que a retórica da China e suas medidas para silenciar dissidentes indicam que praticamente não há chances de que o país mude sua posição oficial em relação ao massacre.

Ao invés disso, há relatos de que funcionários do governo estão recebendo ordens de assistir a um documentário de quatro horas sobre as manifestações, para persuadi-los de que a ação adotada em 1989 era a única opção possível nas circunstâncias.

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