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Novo governo da Índia anuncia 'parada' nas privatizações | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O novo governo da Índia, liderado pelo Partido do Congresso, anunciou nesta quinta-feira que não deve continuar com o programa de privatização do governo anterior. O novo governo declarou que não deve vender empresas estatais que dão lucro. Segundo a declaração, o governo considerará privatizar empresas que não são rentáveis e deve analisar "caso a caso". A nova política econômica, chamada de Programa Mínimo Comum, deve continuar com as reformas econômicas e não vai excluir a zona rural do desenvolvimento do país. Na última semana, os preços das ações indianas sofreram uma baixa em meio aos temores de que o novo governo não leve adiante as reformas econômicas do país. A estimativa de um progresso lento nas reformas também fez com que investidores estrangeiros vendessem cerca de US$ 800 milhões de ações no mês de maio. Pressão A privatização de algumas empresas estatais rentáveis nos setores petrolífero, energético e de engenharia era o plano central da agenda econômica do antigo governo. A política econômica divulgada pelo novo governo deve aumentar para 6% do PIB os gastos com educação, além de incentivar investimentos estrangeiros nos setores petrolíferos e de energia. O novo governo também anunciou que espera que o crescimento anual do país fique em torno de 7% e 8% na próxima década. Segundo economistas, o novo projeto econômico pode fazer com que a economia da Índia fique sob uma pressão maior. "Como os novos gastos com educação serão financiados?", perguntou Kishlaya Pathak, do banco Standard Chartered. "Essa questão é crucial porque a nossa situação econômica é uma preocupação." O déficit do governo da Índia é cerca de 5% do PIB, e críticos dizem que o país deveria se preocupar mais em equilibrar sua receita. Há temores no mercado de que a interrupção das privatizações ou a adoção de uma política que não corte drasticamente os gastos públicos farão com que as dívidas do país fiquem cada vez piores. Mercado Antes da declaração da nova política econômica, a bolsa da Índia fechou com uma queda de 0,5% nesta quinta-feira. Mas economistas dizem que a reação do mercado à nova política deve ser observada na sexta-feira. O governo também disse que continuará os processos de paz com o Paquistão e que retomará seus laços com as nações árabes. O novo governo - liderado pelo premiê Manmohan Singh - deve seu surpreendente triunfo nas eleições à população das zonas rurais. Para essa parte da população, as reformas econômicas do governo do partido Bharatiya Janata (BJ), do ex-primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee, enriqueceram uma elite urbana sem melhorar a situação da grande maioria da população indiana. Economistas dizem que o verdadeiro teste do novo governo deve acontecer quando a política de impostos e gastos for divulgada no primeiro orçamento. Mesmo assim, a posse de Singh, conhecido por ser o arquiteto da liberalização econômica nos anos 90, acalmou um pouco o ânimo dos investidores. Singh foi nomeado premiê depois que a líder do Partido do Congresso, Sonia Gandhi, renunciou à indicação ao cargo. |
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