|
Remessas já são a segunda fonte de renda do México | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As remessas de mexicanos nos Estados Unidos se tornaram uma das mais importantes fontes de renda do México - superada apenas pelo petróleo. Apesar de relativa estagnação da economia americana, esse fluxo de dinheiro cresce. Em 2003, ele aumentou em 35%. O volume de recursos enviados ao México por emigrantes nesse mesmo ano foi superior a US$ 13 bilhões. Até os recursos obtidos com a indústria do turismo estão ficando atrás das remessas. De acordo com Roberto Suro, diretor do Centro Hispânico Pew, em Washington, "remessas provavelmente beneficiaram mais o México do que o Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte, que envolve Estados Unidos, México e Canadá)". Poder As remessas de dinheiro tem feito a influência dos migrantes crescer. "Nós somos suficientemente poderosos para fazer diferença", disse Guadalupe Gomez, referindo-se à influência que os emigrantes têm na política mexicana. Originário do Estado mexicano de Zacatecas, Guadalupe vive no norte, nos Estados Unidos, há mais de 40 anos. Atualmente preside a Federação de Associações Zacatecas. O fluxo de dinheiro dos Estados Unidos para a América Latina excede muito o dinheiro que a região recebe em ajuda externa. Para muitos, as remessas se tornaram uma forma de ajuda externa que ajuda a aliviar a pobreza de famílias que os migrantes deixaram para trás, estimula investimentos e eleva padrões de vida. Mas críticos alegam que a dependência de remessas pode levar a uma atrofia da iniciativa local e não cria incentivo para que as pessoas avancem. Mas a questão já não diz respeito apenas a famílias. As remessas estão se tornando rapidamente um novo fenômeno, influenciando políticas internas e externas em diversos países, inclusive nos Estados Unidos - a principal fonte de remessas de emigrantes do mundo. Especialistas dizem que recentes propostas para a imigração apresentadas pelo presidente americano, George W. Bush, permitirão que imigrantes trabalhem legalmente nos Estados Unidos durante um número limitado de anos, são uma resposta direta à crescente influência de latinos no país. Para o presidente do México, Vicente Fox, a questão foi prioritária em sua campanha eleitoral. Fox chegou a chamar os emigrantes de "heróis". Uma mudança e tanto em relação aos dias em que os que decidiam viver com "o inimigo" - como os Estados Unidos eram chamados em várias partes do México - eram chamados de "traidores". Cidade fantasma O Estado mexicano de Zacatecas, no passado rico em prata mas hoje uma das áreas mais pobres do país, tem grande simbolismo. Mais zacatecas vivem hoje em Los Angeles do que em sua capital. O governador do Estado, Ricardo Monreal, admite que "a influência econômica deles é enorme e, conseqüentemente, também sua força política". "Graças a eles que eu me tornei governador," disse Monreal. As remessas também têm implicações sociais. No vilarejo de Jomulquillo, a poucas horas de viagem da capital do Estado, Zacatecas, o que chama a atenção de imediato para o visitante é o silêncio. Placas dizem que lá vivem, no momento, 80 pessoas - 300 outras originárias do local moram em Los Angeles. Com as casas vazias, janelas fechadas e portas trancadas, há um clima de cidade fantasma. Mas a dor da separação sentida pelas famílias é compensada, de alguma forma, pelas remessas que, noc aso de Zacatecas, não apenas ajuda os parentes mas também os vilarejos de origem. Papel crucial Como parte de uma nova estratégia, as autoridades mexicanas decidiram suplementar os recursos enviados pelos emigrantes com recursos locais, regionais e federais, para construir estradas, escolas e postos de saúde. Não é de surpreender que no ano passado, em um gesto histórico, a câmara dos deputados de Zacatecas aprovou autorização para que migrantes que vivem nos Estados Unidos se candidatem a cargos públicos no Estado. Coisas semelhantes ocorreram em outros países latino-americanos. As recentes eleições em El Salvador mostram como o assunto afeta o panorama político. Especialistas dizem que o candidato direitista Tony Saca venceu as eleições presidenciais no país em parte por causa de propaganda na televisão advertindo que uma vitória do candidato esquerdista teria um impacto negativo nas relações do país com os Estados Unidos. Uma conseqüência disso, dizia o anúncio, seria a deportação maciça de salvadorenhos dos Estados Unidos, o que colocaria em risco a remessa de dinheiro. Analistas acreditam que porque quase 30% da população depende de dinheiro enviado dos Estados Unidos, essa virada na campanha eleitoral se tornou decisiva para a vitória de Saca. Os anúncios começaram a ser veiculados perto da data das eleições. Se as remessas continuarem a crescer como nos últimos anos, provavelmente os migrantes vão se tornar figuras cruciais na política de seus países de origem e não apenas na economia. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||