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Atualizado às: 18 de maio, 2004 - 10h59 GMT (07h59 Brasília)
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Clínica japonesa se especializa em mafiosos mutilados
Próteses
A clínica utiliza técnicas européias avançadas de próteses
Uma clínica de Tóquio está explorando o inusitado mercado japonês de ex-mafiosos mutilados.

A yakuza, famosa máfia japonesa, é conhecida pela cruel prática do “yubitsume”, em que o dedo de uma pessoa é cortado cada vez que ela comete um erro. Criminosos da organização também são facilmente identificados por suas tatuagens.

Pessoas que carregam essas marcas permanentes são mal-vistas no Japão e em geral ficam à margem da sociedade.

A clínica New Body Institute, especializada em próteses, tem atendido um número cada vez maior de ex-mafiosos que querem voltar a ter uma imagem respeitosa fora da yakuza.

Para mulheres

Quando a clínica foi fundada, no começo dos anos 1990, a proposta era muito diferente. A fundadora, Maria Niino, havia passado por uma masectomia, cirurgia de retirada de um dos seios para combater o câncer.

“Depois da minha operação, senti que os médicos japoneses eram indiferentes ao fato de eu ter perdido um seio. Então comecei a pesquisar técnicas de prótese européias que eram muito mais avançadas”, afirma Niino.

“Abri a clínica para ajudar mulheres que sofreram como eu.”

Poucos anos depois de ela ter aberto a clínica, uma nova clientela começou a aparecer.

Ao longo dos anos 1990, o crime organizado japonês entrou em crise, na esteira da recessão econômica do país e novas leis de combate aos gângsteres.

Maria Niino, fundadora da clínica
Maria Niino: “Abri a clínica para ajudar mulheres que sofreram como eu”.

As autoridades, além de apertar o cerco contra o crime, ofereciam aos bandidos uma chance de recomeçar a vida fora das organizações.

Para isso, marcas do passado precisavam ser apagadas, com cirurgias de remoção de tatuagens e implantação de próteses de dedos.

A fundadora da clínica ainda lembra do seu primeiro cliente da yakuza. “No começo, eu estava com medo. Mas, na verdade, acho que ele estava com mais medo do que eu. Ele estava tremendo, quando a polícia o trouxe aqui”, diz Niino.

Algumas empresas também participam de programas da polícia para reempregar ex-integrantes da yakuza. Mas a maior parte da sociedade japonesa ainda os rejeita.

Novo público

Recentemente, Niino tem identificado uma mudança no público da sua clínica. Não só ex-criminosos a procuram, mas também mafiosos que ainda estão na yakuza.

“Quando seus filhos se casam, por exemplo, eles querem poder conhecer os noivos e aparecer como pessoas respeitáveis. E, para isso, é preciso ter dez dedos.”

O sociólogo da universidade de Oxford Peter Hill, que estuda tendências do crime organizado japonês, diz que há uma tendência entre os mafiosos de não praticar mais o “yubitsume”, para evitar exclusão social.

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