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A Semana: O poder das imagens da guerra no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Primeiro, o mundo viu imagens de prisioneiros iraquianos sofrendo abusos de soldados americanos, sendo forçados a atos sexuais humilhantes ou com fios elétricos ligados a seu corpo. Depois foi a vez da soldado Lynndie England, de 21 anos, aparecer arrastando um prisioneiro iraquiano preso pelo pescoço a uma coleira. E agora, na semana que termina, uma nova imagem vinda do Iraque chocou o mundo: na terça-feira, um site de internet mostrou Nick Berg, um americano de 26 anos, sendo decapitado com um facão por um grupo de rebeldes iraquianos. De tão terrível, a imagem da decapitação não foi exibida por TVs ou sites no Ocidente. De início, vários políticos americanos apontaram a diferença entre os abusos cometidos por soldados americanos contra prisioneiros e o bárbaro assassinato de Berg, na linha "ficou claro que eles são muito piores do que nós". Mas, longe de ajudar o governo do presidente George W. Bush, a decapitação mostrou que os americanos ainda podem sofrer, e muito, em sua campanha militar no Iraque. Com isso, analistas dos dois lados do Atlântico começam a apostar em uma possível retirada completa das tropas americanas do Iraque muito antes do que o governo americano esperava. Para tentar evitar um fim constrangedor à aventura americana na Babilônia, na quinta-feira o secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, fez uma visita surpreendente a Bagdá. Fortalecido pela demonstração de apoio exibida por seu chefe, dias antes, Rumsfeld foi à prisão de Abu Ghraib, palco dos abusos contra prisioneiros iraquianos. Após a visita de Rumsfeld, na sexta-feira, mais de 300 prisioneiros foram libertados. Mais de 3 mil continuam no local, mas o novo diretor da prisão promete reduzir o total para 1,5 mil. Os Estados Unidos esperam que gestos como esse os ajudem a controlar os seguidos levantes no país. Governo britânico x Daily Mirror Imagens de atrocidades cometidos no Iraque não precisam necessariamente ser verdadeiras para causar impacto. Supostas cenas de soldados britânicos espancando prisioneiros iraquianos e até mesmo urinando sobre um deles ocuparam a capa do tablóide britânico The Daily Mirror, duas semanas atrás.
Mas a autenticidade das imagens começou a ser questionada, enquanto o jornal reafirmava em suas manchetes que elas eram verdadeiras. Depois de dias de trocas de acusações entre o governo e o jornal, na quinta-feira veio o resultado de uma investigação militar: as imagens publicadas pelo tablóide eram falsas, tendo sido encenadas e não no Iraque, mas provavelmente na Grã-Bretanha. Sem ter como negar as evidências, que indicavam que equipamentos militares exibidos nas imagens não eram o mesmos usados no Iraque, o Daily Mirror tomou uma decisão inédita: demitiu sumariamente seu até então Todo-Poderoso editor, Piers Morgan. Em uma carta, os donos do jornal disseram que o Mirror havia sido vítima de uma farsa muito bem orquestrada e se desculpava pelos danos que o episódio causou às tropas britânicas. Totalmente humilhado no caso, o jornal provavelmente exibiria na sua edição deste sábado um pedido de desculpas aos leitores, em letras garrafais. Governo brasileiro x New York Times Não foi só na Grã-Bretanha que a imprensa esteve no centro das atenções nesta semana. No Brasil, o governo brasileiro protestou contra uma reportagem do New York Times, que dizia que o país estava preocupado com o suposto hábito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de consumir bebidas alcoólicas. Entretanto, diferentemente do caso britânico, no episódio brasileiro o jornal em questão não saiu da polêmica humilhado. Pelo contrário. De vilão, o New York Times transformou-se em vítima quando o governo anunciou a cassação do visto de trabalho do repórter Larry Rohter. O Superior Tribunal de Justiça concedeu liminar em favor de Rohter, e de Nova York não veio nenhum pedido de desculpas. A volta dos Gandhi O resultado das eleições parlamentares na Índia já havia sido antecipado por inúmeros analistas: o partido do primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee, o BJP, venceria, favorecido por taxas recentes de crescimento econômico acima de 7% ao ano. Mas, na quinta-feira, veio a grande surpresa: o Partido do Congresso, de Sonia Gandhi, saía das urnas eletrônicas vencedor, na maior disputa democrática do mundo.
A vitória do partido da viúva de Rajvi Ghandi foi resultado do descontentamento dos indianos mais pobres com as condições de vida no país, apesar do crescimento econômico. Dias antes das eleições, alguns analistas questionavam o futuro do Partido do Congresso, nascido do movimento de independência do país, nos anos 40. Mas com a vitória, Sonia Gandhi (o nome é poderoso, mas sua família não tem parentesco algum com o Mahatma) mostrou que uma das dinastias mais famosas do século 20 não abandonaria a cena política tão facilmente. Depois Jawaharlal Nehru, sua filha Indira Gandhi e seu neto Rajv Gandhi, a italiana de nascimento Sonia pode se tornar a quarta pessoa da família a ocupar o cargo de primeiro-ministro da Índia. |
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