|
Volta ao mundo em duas rodas vira projeto educacional para brasileiro | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em dezembro de 2001, o arquiteto brasileiro Argus Saturnino partiu de Cordisburgo, sua cidade natal em Minas Gerais, para dar uma volta ao mundo de bicicleta. A viagem virou Pedalando e Educando, um projeto de educação à distância que já conta com mais de três mil escolas inscritas no Brasil. Tudo por meio da internet. Em dois anos e meio, o ciclista de 29 anos percorreu 22 países: do Brasil à Bolívia, do Peru à Índia, do Nepal aos países do Oriente Médio, transmitindo as suas experiências pela internet usando imagens e textos sobre cada país visitado. "Depois que criei a página, o projeto foi crescendo e acabei ganhando uma nova profissão", diz o ciclista. Ao longo do tempo, ele foi conseguindo vários patrocinadores, incluindo a Cultura Inglesa, que traduz o conteúdo do site para o inglês. Quinta etapa Na página da internet, os alunos aprendem um pouco de história e podem acompanhar as aventuras do arquiteto, que passou por Londres esta semana no que ele chama de a quinta etapa de sua viagem. "Depois do oeste da Europa, sigo para o leste europeu e depois para o sul da África", conta Argus, que já perdeu a conta de quantos quilômetros percorreu. Mas, garante, tem tudo registrado no site. Ele conta tentar fazer a maioria dos percursos de bicicleta, só pegando avião ou barco em casos de extrema necessidade. Um desses casos ocorreu no Irã, quando Argus Saturnino foi perseguido pela polícia, confundido com um espião. "Tive que ligar para a embaixada brasileira e me mandaram deixar o país. Não pude pedalar até a fronteira e tive que ir para a Turquia". Perigos O caso do Irã, afirma o ciclista, foi o mais extremo da viagem. "Em geral todas as pessoas são muito hospitaleiras. Nos vilarejos da Ásia, por exemplo, faziam muita festa para me receber. Me davam casa, comida, roupa lavada". Para o ciclista, a região percorrida da qual ele mais sentiu medo foi a América do Sul. "No Peru e na Bolívia, precisava me ‘maquiar’ um pouco, escondendo os meus equipamentos e deixando a minha bicicleta como uma aparência de velha. O medo de assalto era grande", conta Saturnino, que carrega cerca de 50 quilos em equipamento incluindo câmeras digitais, computador e CDs para atualizar o site. "Carrego ainda bastante material sobre o Brasil. Tento visitar escolas por onde passo, para contar sobre as minhas experiências." Lula No futuro, ele diz que pretende ampliar o projeto, inclusive em outros países. "O site está crescendo bastante, ganhei recentemente o apoio da Universidade Federal de Santa Catarina, que me ajuda com o layout da página e com a tecnologia. Mas sonho em um dia poder fazer as informações chegarem a mais escolas", afirma. O aventureiro-educador diz que discutiu o projeto com ninguém menos do que o presidente Lula, a quem Argus Saturnino encontrou no ano passado, no Egito. "Me apresentei para ele durante uma cerimônia na embaixada e falei do meu projeto, pedi apoio. Mas acho que ele ficou mais impressionado com o fato de eu viajar de bicicleta. Ele disse: "Pô, cara, de bicicleta? Não é cansativo, não?", diverte-se. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||