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Lula dá sinais de ceder à pressão para gastar mais, diz 'New York Times' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Enfrentando queda de popularidade e lentidão na recuperação econômica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está sendo pressionado a aumentar os gastos do governo e "já está mostrando sinais de ceder à pressão", diz a edição desta quinta-feira do jornal The New York Times. O diário americano afirma que esses sinais estão "aumentando as preocupações com sua aparente vontade de escapar da crise política através dos gastos". O The New York Times exemplifica dizendo que o governo cedeu a pedidos para um aumento do salário de funcionários públicos em greve, prometeu dinheiro para assentar os sem-terra e anunciou planos para contratar mais 40 mil servidores. O jornal publica ainda declarações de Christian Stracke, da empresa de pesquisas CreditSights, que acredita que esse pode ser "um grande teste para o compromisso de responsabilidade fiscal de Lula no longo prazo". Mas a reportagem diz que poucos economistas acreditam que gastos a mais vão colocar em risco a capacidade do Brasil de cumprir suas metas fiscais neste ano com o FMI. "O grosso dos gastos, especialmente os aumentos salariais e novos empregos, vão continuar a pesar nas contas do governo nos próximos anos", diz o jornal. Embratel O Financial Times, da Grã-Bretanha, diz que a venda da Embratel é um teste para avaliar o sucesso do processo de privatização das teles no Brasil. "Depois de meses de suspense e de trocas cada vez mais ríspidas de acusações, a empresa americana MCI foi finalmente autorizada a vender a Embratel, companhia telefônica brasileira de comunicações internacionais e de longa distância, para a mexicana Telmex", diz a reportagem do FT. "Entretanto, o significado da decisão é muito maior do que a vitória ou a derrota das companhias envolvidas. A venda ajudaria a determinar a dimensão da competição no âmbito do mercado das comunicações do Brasil, que vive uma fase de expansão acelerada, e, em última instância, o sucesso ou fracasso do processo de privatização que foi iniciado em 1998." Segundo o diário britânico, "a privatização das telecomunicações no Brasil foi concebida para favorecer a competição, mas uma série de regulamentações necessárias ao equilíbrio do mercado ainda não foi adotada". Entre essas normas, diz o jornal, "está a medida que visa a regulamentar o procedimento pelo qual as operadoras devem abrir as suas redes para que elas possam ser utilizadas pelos seus competidores". Sem isso, o Brasil correria o risco de substituir um monopólio público por um privado, afirma o texto. Primeiro de Maio O jornal argentino Clarín diz que haverá grandes festas no Brasil para comemorar o Dia do Trabalho, mas, em vez de realizar um ato público de protesto, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) "decidiu neste ano copiar o estilo carnavalesco que vem adotando há tempo sua adversária, Força Sindical". O diário argentino enumera também detalhes que mostrariam como a CUT está mudando. Entre eles estão a contratação de um especialista em marketing para organizar a marcha trabalhista, a presença de empresas multinacionais entre as que financiarão a festa e a incorporação de elementos característicos das festas da Força Sindical como rifas de eletrodomésticos e automóveis. "Na última vez em que passou por Buenos Aires, Luiz Marinho, o presidente da CUT, havia criticado as técnicas festivas de seu oponente nos atos de 1º de Maio. Em entrevista ao Clarín, ele disse que a central operária, de passado esquerdista, não precisava de prêmios e sorteios para atrair simpatizantes", diz jornal. O jornal diz que tudo mudou de lá para cá, e a CUT decidiu inclusive "utilizar o salão de festas e buffet do restaurante mais caro de São Paulo, a Casa Fasano, para receber as autoridades brasileiras". Bush e o Iraque A intensificação de combates no Iraque provocou reações na imprensa árabe. O jornal Al-Watan, do Catar, disse em editorial que o "presidente Bush é a maior ameaça à paz e à segurança do mundo". "O que ele fez no Iraque é um exemplo da extensão de seu descaso com as almas de iraquianos e americanos... Agora ele está em um verdadeiro atoleiro. Ele não consegue se retirar do Iraque nem fornecer os enormes recursos humanos para poupar suas forças." O Al-Dustur, da Jordânia, diz em editorial que "uma responsabilidade nacionalista exige que os árabes não fiquem sentados assistindo ao que acontece no Iraque, à matança diária". "Quer os líderes da coalizão aceitem essa realidade ou não, a administração da ocupação do Iraque está em profunda crise", conclui o jornal. |
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