|
Culpa por impasse nuclear só pode ser de Lula, diz 'Los Angeles Times' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um editorial publicado nesta quinta-feira pelo jornal americano Los Angeles Times afirma que, se existe um culpado por levantar suspeitas desnecessárias sobre o programa nuclear brasileiro, esse culpado é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O jornal diz que Lula pode ter obtido sucesso, momentaneamente, "em distrair a atenção dos brasileiros do grande escândalo de corrupção que envolveu um de seus assessores políticos", em uma referência ao caso Waldomiro Diniz. Mas, de acordo com o editorial, quanto mais o governo demora para autorizar inspeções nucleares mais abrangentes na usina de enriquecimento de urânio de Resende (RJ), maior é o prejuízo para a imagem internacional do Brasil. O Los Angeles Times diz ainda que, em um momento em que a economia do país registra "sua pior performance em mais de uma década" e o desemprego gira em torno de 12%, "a última coisa que o Brasil precisa é de uma disputa com as Nações Unidas e os Estados Unidos sobre um assunto que pode ser resolvido através de negociação". Amazônia O anúncio de que o Brasil reconheceu um aumento da devastação na Amazônia é tema de uma reportagem do jornal britânico Financial Times. O diário diz que a aceleração do desmatamento foi influenciada por um avanço da fronteira agrícola, pelo crescimento populacional e pelo corte ilegal de madeira. Além disso, afirma o Financial Times, a ocupação ilegal, o desmatamento e venda de terras na região freqüentemente ocorrem com a ajuda de políticos e cartórios locais. O jornal diz ainda que ambientalistas acusam o governo de criar obstáculos para seus esforços de conservação ao apoiar práticas agrícolas insustentáveis. Pilõezinhos A pequena cidade de Pilõezinhos, um município de 7 mil habitantes na Paraíba, é o assunto de um artigo escrito por Jonathan Power, comentarista de assuntos internacionais do International Herald Tribune, e publicado no jornal. O texto diz que é comum a visão de que o Brasil nunca teve a chance de realmente mudar para melhor até a chegada de Lula ao poder. De acordo com Power, essa idéia "não é completamente falsa, mas também não é completamente verdadeira". O comentarista conta que conheceu Pilõezinhos há 25 anos, quando ficou amigo da freira Valéria Rezende, envolvida com a Teologia da Libertação e as campanhas da época pela redemocratização do Brasil. Agora, Power diz que voltou à cidade na última segunda-feira, após 17 anos, e concluiu que Pilõezinhos reflete parte da história do Brasil contemporâneo. O articulista conta que, no passado, a situação na cidade era muito ruim e a sensação era de que as pessoas em Pilõezinhos estavam aos poucos perdendo a vontade de viver. Agora, diz Jonathan Power, as ruas estão cheias e a cidade se orgulha de seu progresso como resultado de um processo de redemocratização iniciado há duas décadas. Condoleezza Rice Outro destaque da imprensa internacional nesta quinta-feira é a expectativa quanto ao depoimento da assessora de Segurança Nacional do governo americano, Condoleezza Rice, à comissão que investiga os atentados de 11 de setembro de 2001. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o democrata Gary Hart, ex-candidato à Presidência dos Estados Unidos, diz que alertou o governo sobre a ameaça de um atentado cinco dias antes dos ataques ao World Trade Center, mas foi ignorado. De acordo com o Financial Times, Condoleezza Rice vai garantir, sob juramento, que o governo americano fez tudo o que podia para tentar evitar os atentados. Na Espanha, o jornal El País diz que o depoimento de Rice pode ter impacto na estratégia do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de se mostrar na campanha pela reeleição como um homem em quem os americanos podem confiar. A reportagem do El País afirma que o futuro da própria Condoleezza Rice está em jogo porque o seu destino político e o seu suposto desejo de substituir Donald Rumsfeld como secretário de Defesa dependem do sucesso de Bush. Iraque Os jornais internacionais desta quinta-feira também retomam o debate sobre a intensificação dos confrontos entre as forças americanas e a oposição à ocupação liderada pelos Estados Unidos no Iraque. O diário britânico The Times publica na primeira página um relato do repórter Stephen Farrell, que conta a história de como foi capturado no Iraque, perto de Falluja, por um grupo que se identificou como "os bandidos de Ali Baba". Farrell afirma que foi levado para ser interrogado por guerrilheiros da resistência iraquiana e que, antes de ser liberado, ficou por mais de oito horas sob a mira de armas de diferentes tipos. Por fim, o repórter viu o seu destino ser decidido pelo veredicto dos combatentes, que julgaram se Farrell era realmente um jornalista ou um soldado, e se deveria ser morto ou libertado. Imprensa árabe Na imprensa árabe, o jornal Al-Quds Al-Arabi, baseado em Londres, publica um editorial sobre o conflito entre as forças americanas e a mílicia xiita liderada pelo clérigo iraquiano Moqtada Al-Sadr. "Os Estados Unidos prometeram lidar com as forças Al-Mahdi, mas será difícil para os americanos alcançar esse objetivo", diz o jornal. "As forças Al-Mahdi são um fenômeno popular e uma ideologia religiosa, e não uma força organizada", acrescenta o editorial. "As forças americanas podem derrotar o Exército iraquiano, e até as forças árabes, mas não ideologias e crenças religiosas, particularmente em um país como o Iraque." "A batalha americana contra Moqtada Al-Sadr e suas forças é provavelmente mais difícil, porque a rebelião iniciada pelo líder xiita contra a ocupação mudou todo o equilíbrio americano", conclui o Al-Quds Al-Arabi. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||