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Adversários de Bush lançam rádio de esquerda nos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Com o lançamento de uma nova rede de rádio, pessoas de tendência de esquerda nos Estados Unidos esperam rebater o que eles acreditam que seja uma conspiração de direita na mídia do país. Tanto os "progressistas de esquerda" - que nos Estados Unidos são chamados de liberais - quanto os conservadores americanos acreditam que a mídia é dominada por seus oponentes. Mas os progressistas acreditam que têm estado em desvantagem nas ondas do rádio americano por causa da ascensão de apresentadores como Rush Limbaugh, vistos como um elemento poderoso de comunicação do Partido Republicano, do presidente Bush. A rádio Air America, de esquerda, começou a transmitir nesta quarta-feira em meio a uma campanha presidencial, em um ano em que a revolta da esquerda com o Bush está a todo vapor. E um dos destaques da nova rádio, o apresentador Al Franken, deixou claro que ele espera que a nova rede vá ajudar não apenas a acabar com o que ele acredita ser um desequilíbrio na mídia, mas também influenciar o resultado da eleição contra George W. Bush. “Obrigado por sintonizar no lado esquerdo do seu dial!”, diz o locutor de uma das retransmissoras da rede Air America, a rádio KPOJ, de Portland, Estado do Oregon. A rede tem como destaques alguns comediantes como a atriz Janeane Garofalo e o rapper Chuck D. O âncora é Al Franken, que passou de redator de comédias de televisão a autor de sátiras liberais, tendo publicado dois best sellers fazendo piadas com nomes conservadores de destaque, como Limbaugh. Um de seus livros, inclusive, tem o título Rush Limbaugh is a Big Fat Idiot (Rush Limbaugh é um Grande Idiota). Depois veio a sequência, o livro Lies and the Lying Liars who tell them: A Fair and Balanced Look at the Right (Mentiras e os Metirosos que as Contam: Um Olhar Justo e Imparcial da Direita).
Rush Limbaugh é um dos alvos favoritos dos liberais, um garoto propaganda da “revolução republicana” e, de forma geral, uma figura que os democratas amam odiar. Rush – como é conhecido tanto pelos simpatizantes quanto pelos inimigos – é ouvido em 600 estações de rádio nos Estados Unidos e tem uma audiência de 20 milhões por semana. Ele liderou um ataque de rádio contra o então presidente Bill Clinton, parte do que Hilary Clinton se referiu como uma ampla conspiração de direita contra seu marido. Ainda que o diretor-executivo da Air America, Mark Walsh, tenha dito que a nova rede “não tem por objetivo a mudança de regime”, o âncora Al Franken não esconde os seus claros objetivos políticos de seu show. “É simples, meu plano é alterar o panorama político, expulsar esse presidente direitista radical do governo e ser um porta-voz dos americanos comuns que dão duro e seguem as leis.” A revolução de Rush Rush Limbaugh tem tido um imenso impacto político, disse Jane Hall, uma professora associada de comunicação da Universidade American, de Washington, e membro do painel de debatedores do programa News Watch, do canal de TV a cabo Fox News. “É preciso lembrar às pessoas que, durante a ‘revolução republicana’ de 1994, quando os republicanos estavam fora do poder, ele era a grande força”, disse ela. E Rush quer ter um papel importante nas eleições presidenciais deste ano. Em seu site na internet, Limbaugh vende um guia intitulado “Como Derrotar um Liberal”, e tem link para textos de teor crítico sobre o pré-candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, John Kerry. “(O livro) É A fonte que você pode usar para combater a mídia partidária, liberais e pessoas que odeiam Bush. Recheado de fatos, artigos e os comentários de Rush sobre o candidato democrata com visual francês”, diz o site. Segundo Hall, “as pessoas de esquerda, progressistas, ansiavam ter uma voz na mídia nos dias de hoje”.
Mas ela acrescenta que os conservadores acreditam que os veículos de comunicação de peso nos Estados Unidos seguem uma agenda liberal, e citam como exemplo o jornal The New York Times, a Rádio Pública Nacional e o âncora da rede de TV CBS Dan Rather. No site de Rush Limbaugh, ele apresenta links para os sites das agências de notícia France Presse, Associated Press e Reuters, que ele acusa de serem pró-Kerry. E Michael Harrison, editor da revista Talkers (voltada para o setor de rádio dos Estados Unidos), diz que os progresistas estão bem representados no dial por meio de apresentadores em redes com o a Rádio Pública Nacional. “Muito disso é paranóia, sobre a concentração de poder no rádio nas mãos dos conservadores”, disse Harrison. “Não é tanto quando as pessoas pensam, mas há pessoas que acreditam que é necessário um contra-ataque.” Ele salienta que, no máximo, Rush Limbaugh é ouvido por cinco em cada 100 pessoas que estão sintonizando rádio em certos horários, nos Estados Unidos. Leveza e bom humor No lançamento de seu show, Franken disse que o dia marcou o fim do domínio da direita nos programas de rádio de bate papo no país. Mas a rede Air America vai ter que enfrentar um duro desafio do ponto de vista comercial, porque, segundo analistas, rádio liberais no passado sofreram com a falta de talentos frente ao microfone. Hall acha que os progressistas têm que manter a leveza e o bom humor nos programas para atrair ouvintes e, dessa forma, atrair o interesse de mais retransmissoras. A Air America foi lançada em um punhado de estações e também via satélite pelo serviço de rádio XM, que tem cerca de 3 milhões de assinantes. Este momento, a rede tem o respaldo de US$ 60 milhões de empresários liberais como Rob Glaser, da RealNetworks. Para Harrison, a nova rede vai ter que passar pela difícil transição de atrair simpatizantes a atrair investidores. |
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