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Perfil: Ahmed Yassin, líder para jovens militantes palestinos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O xeque Ahmed Yassin, o fundador e líder do grupo militante palestino Hamas, era um homem frágil que mal podia enxergar. A sua voz era fraca e hesitante. Mesmo assim, a sua importância para a militância palestina era crescente e através dele os palestinos retratavam a sua frustração com o plano de paz para o Oriente Médio. Milhares de palestinos assistiram ao juramento de vingança de Yassin quando um ataque israelense em setembro de 2003 deixou-o ferido. Nascido em 1938 no que era a Palestina sob o comando britânico, as visões políticas de Yassin surgiram em um momento de humilhação e derrota para os palestinos. Depois de um acidente na infância que o deixou tetraplégico, Yassin ganhou uma bolsa de estudos na Universidade de Al-Azhar, no Cairo, cidade considerada o berço dos conhecimentos islâmicos. Foi lá que ele fundamentou a crença de que a Palestina era uma "terra islâmica destinada a abrigar o futuro das comunidades muçulmanas até o dia do Julgamento Final" e que nenhum líder arábe tinha o direito de ceder nenhuma parte de seu território. Yassin ganhou notoriedade durante a primeira Intifada palestina, em 1987. Foi aí que o movimento palestino islâmico ganhou o nome de Hamas, que significa "fervor", e Yassin virou o seu líder espiritual. Em 1989, o xeque foi preso por Israel e condenado à prisão perpétua por ordenar o assassinato de palestinos que supostamente colaboravam com os militares israelenses. Ele foi solto em 1997 numa troca de prisioneiros entre Israel e Jordânia. Os jordanianos libertaram dois agentes secretos israelenses envolvidos em uma tentativa de assassinato contra o líder do Hamas na Jordânia. Na prisão, Yassin ganhou mais importância e virou um símbolo da resistência palestina, mas a sua popularidade era menor do que a do líder Yasser Arafat. Por acreditar que uma liderança dividida minaria os interesses palestinos, o xeque manteve uma política de boa vizinhança com a Autoridade Palestina e com outros regime do mundo árabe. No entanto, ele nunca se comprometeu com o processo de paz. "O chamado caminho da paz não representa a paz e não substitui o jihad e a resistência", disse Yassin várias vezes. Yassin criticou veementemente a cúpula realizada do ano passado em Aqaba, na Jordânia, com o objetivo de discutir o plano de paz para o Oriente Médio e conter a violência. O Hamas, no entanto, chegou a declarar um cessar-fogo temporário, que foi suspenso em julho de 2003 depois que forças israelenses mataram dois integrantes do Hamas em retaliação por um atentado suicida contra um ônibus em Jerusalém, que matou 21 civis. O grupo tem sido capaz de aumentar a sua legitimidade ao oferecer ajuda material aos palestinos que têm sofrido com o bloqueio econômico de Israel, durante a atual intifada. O grupo montou fundos de caridade, escolas e hospitais, que oferecem serviços gratuitos para as famílias desfavorecidas. O Hamas consegue captar milhões de dólares do Golfo Pérsico e de outras regiões do mundo. O xeque Yassin servia de inspiração para os jovens palestinos frustrados pelo colapso do processo de paz. Ele os inspirava a oferecer a própria vida, ao prometer que o homem-bomba, que morre a serviço da causa palestina, virará um mártir. As tentativas de restringir as atividades do xeque recebiam forte oposição daqueles que o defendiam. Em dezembro de 2001, um homem morreu durante um confronto com a polícia palestina, após Yassin ter sido submetido a prisão domiciliar. Um novo tiroteio ocorreu em junho do ano passado, quando policiais palestinos cercaram a sua casa de uma seqüência de atentados suicidas contra Israel. E, em setembro de 2003, o Exército de Israel tentou assassinar Yassin quando ele visitava um colega em Gaza. |
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