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Atualizado às: 19 de março, 2004 - 00h00 GMT (21h00 Brasília)
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Americanos 'estão desistindo de procurar emprego'

Indústria metalúrgica nos EUA
Indústria metalúrgica nos EUA
A qualidade dos empregos está diminuindo nos Estados Unidos, e o tempo de espera por eles está aumentando. O resultado, segundo especialistas, é que muitos americanos estão desistindo de procurar trabalho.

Dados da pesquisa mensal de emprego de fevereiro do Departamento de Trabalho indicam que 65,7% da população civil está dentro da força de trabalho -o que inclui as pessoas empregadas e aquelas que estão desempregadas, mas procuraram trabalho nas quatro semanas anteriores à pesquisa. É o menor índice desde 1987.

A pesquisa também mostra que há 9,3 milhões de desempregados. Outros 4,5 milhões de pessoas que não procuraram trabalho nas quatro semanas antes da pesquisa não contam oficialmente como desempregados.

"Este é um dos fatores que mostra porque a taxa de desemprego está artificialmente baixa nos Estados Unidos", diz Jared Bernstein, economista sênior do Instituto de Políticas Econômicas de Washington, o braço de pesquisa da AFL-CIO, a maior central sindical americana.

Índice

O índice de desemprego de fevereiro ficou em 5,6%, mais baixo do que a média dos anos 90 (5,8%), 80 (7,3%) e 70 (6,2%). Como também acontece no Brasil, o índice de desemprego mostra o percentual da força de trabalho que está procurando emprego.

Mas Bernstein diz que "se a força de trabalho tivesse crescido no seu ritmo normal, anterior à recessão de 2001, ela teria dois milhões de pessoas a mais".

"Em um cenário assim o desemprego estaria acima de 7%", diz o economista.

Os dados da pesquisa mensal de emprego também mostram que a economia americana está demitindo menos, mas continua patinando para criar as vagas perdidas durante a recessão americana em 2001.

"Os indicadores econômicos em geral estão melhorando, mas o emprego não está reagindo. Normalmente depois de períodos de recessão leve a economia americana consegue recuperar as vagas perdidas, mas desta vez ainda não conseguimos voltar aos níveis de março de 2001", diz Bernstein.

A Casa Branca aponta para os índices de produção crescentes e argumenta que os cortes de impostos promovidos pelo presidente George W. Bush estão atingindo seu objetivo de reaquecer a economia, que em breve começaria a criar mais vagas.

Contratações

Uma sondagem divulgada esta semana pela Manpower - uma das maiores empresas de recursos humanos do mundo - informa que 28% das 16 mil companhias consultadas se declararam dispostas a contratar funcionários no próximo trimestre, o melhor resultado desde o primeiro trimestre de 2001.

Segundo o estudo, as dez áreas pesquisadas mostraram melhora, mas com grande destaque para o setor da construção, seguido pelos setores da indústria e da educação.

Mas o presidente da Manpower, Jeffrey Joerres, revela um dado que não consta da pesquisa, mas que foi captado pela empresa no contato com os clientes.

"Está havendo uma demanda maior por trabalhadores de alta qualificação e por trabalhadores de baixa qualificação, deixando um grande vão no meio da escala", diz.

"Não há mais tantos empregos bem pagos disponíveis para a classe média como havia nos períodos recentes de maior expansão econômica", diz ele.

Joerres acredita que há americanos que estão desistindo de procurar emprego porque não têm a perspectiva de acharem uma ocupação que preencha suas expectativas.

"Acho que em breve muita gente vai ter de começar a perceber que tem de escolher menos", avalia.

Kiana Evans, de 20 anos, está procurando um emprego onde possa usar o que aprendeu em cursos de informática. Mas nos últimos anos a moradora de um bairro do nordeste de Washington - uma área mais pobre da capital americana - não teve sucesso.

"Queria ganhar uns US$ 8 por hora (cerca de R$ 24)", um salário que impressiona em reais mas que é relativamente baixo nos Estados Unidos.

A pesquisa de empregos mostra que a espera por um trabalho também aumentou muito.

"Está em média em nove semanas, o mais alto intervalo desde 1984", diz Jerad Bernstein.

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