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Fifa veta brasileiros na seleção do Catar | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Comitê de Emergência da Fifa (órgão máximo do futebol mundial) decidiu nesta quarta-feira proibir que jogadores naturalizados por países com os quais não têm um vínculo claro atuem em suas seleções nacionais. Para poder atuar por uma seleção que não seja a do país em que nasceu, o jogador precisa que algum de seus pais ou avós tenha nascido no local ou tem de ter vivido de forma contínua por pelo menos dois anos no território desse país. A decisão foi provocada pela intenção do Catar de’’fabricar’’’ uma seleção nacional, ’’comprando’’ vários jogadores estrangeiros, principalmente brasileiros e africanos. Desesperado para formar um bom time, o treinador do Catar, o francês Philippe Troussier, julga que essa é a única solução para ter chances de se classificar para a Copa do Mundo de 2006 na Alemanha. Os brasileiros Ailton, Dedé e Leandro, que atuam no futebol alemão, foram os primeiros a entrar em negociações com essa pequena e bilionária monarquia petroleira no Golfo Pérsico. Artilheiro Ailton, 30 anos, atacante do Werder Bremen e artilheiro do campeonato alemão, teria recebido oferta de 1 milhão de euros para se naturalizar, além de 400 mil euros por ano. ’’Ailton continua querendo a naturalização no Catar, porque acha que é uma chance de poder jogar numa Copa do Mundo’’, afirmou o porta-voz do Werder Bremen, Toni Polster. Segundo o porta-voz, o contrato pode ser fechado na próxima semana. ’’Mas isso é problema do Ailton, não de nosso clube, não temos nada com isso’’. Os irmãos Dedé e Leandro, do Borussia Dortmund, também chegaram a viajar a Doha, capital do Catar, mas não fecharam ainda contrato. O secretário-geral da Federação de Futebol do Catar, Saud al-Mohannadi, declarou que os contratos continuavam em discussão e defendeu a idéia de naturalizar os jogadores. "Eles podem mudar a nacionalidade e jogar pelo país de sua escolha, qual o problema?’’, reagiu, insistindo que não quer briga com a Fifa. Segundo o jornal The Península, de Doha, os contratos no Catar estão praticamente confirmados, qualquer que seja a decisão da Fifa. "Os jogadores não perdem a nacionalidade brasileira e nem precisam jogar por uma equipe do Catar. Podem continuar jogando em seus clubes na Alemanha e, ao mesmo tempo, formar a seleção’’, comentou. No entanto, a iniciativa do Catar deflagrou o sinal de alerta no mundo do futebol sobre o perigo de seleções "mercenárias" e o poder do dinheiro nesse esporte, levando a Fifa a reagir. Um dos mais enfurecidos tem sido Rudi Assauer, diretor do Schalke, clube que já contratou Aílton para a próxima temporada do campeonato alemão. "É um absurdo tudo isso só por dinheiro. Deste modo absurdo é formada uma seleção’’’’, disse na imprensa alemã. Ex-craques Rico em petróleo, o Catar tem menos de 4.000 jogadores registrados numa população de cerca de 600 mil habitantes. Suas equipes, dirigidas por ricos xeques, são formadas sobretudo por ex-jogadores estrangeiros famosos e atualmente em declínio físico, como o francês Frank Leboeuf, os espanhóis Fernando Hierro e Josep Guardiola, os alemães Mario Basler e Steffen Effenberg. A maior estrela é o argentino Gabriel Batistuta, 35 anos, que depois de atuar na Itália no Fiorentina, Roma e Inter de Milão, prepara sua aposentadoria com um contrato de US$ 8 milhões por dois anos de atuação no Al-Arabi. |
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