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Amorim defende aliança Brasil-Argentina com FMI | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deu uma palestra nesta quarta-feira na London School of Economics, na qual expôs os principais pontos da política externa do governo Lula. Amorim defendeu o compromisso firmado entre o presidente Lula e o líder argentino, Néstor Kircher, nesta terça-feira, de reivindicar que o Fundo Monetário Internacional (FMI) leve em conta o crescimento econômico ao fixar a meta de superávit primário nos acordos para concessão de empréstimos. O ministro descartou críticas feitas por analistas à BBC Brasil, de que ao se aliar à Argentina, que tem tido uma série de divergências com o FMI, o Brasil, cuja conduta vem sendo elogiada pelo órgão internacional, estaria cometendo um erro estratégico. "Considero essa visão parcial. Prefiro acreditar no contrário, de que a boa imagem do Brasil pode 'contagiar' positivamente a Argentina", disse Amorim à BBC Brasil. Combate à fome Amorim destacou que historicamente não é uma missão do FMI ou do Banco Mundial resolver os problemas da fome ou da pobreza mundiais. "Mas o importante é que as regras negociadas com estes organismos internacionais não tornem impossível para cada país combater a fome e a miséria." Na avaliação do ministro, os órgãos internacionais de financiamento há muito já entenderam que a globalização não é sustentável se não houver melhoria da qualidade social. "Ninguém está negando que é importante ter saúde financeira, e a política do Brasil demonstra isso claramente. Mas só se pode, a longo prazo, ter economias sustentáveis se houver sociedades sustentáveis." Durante sua palestra, o ministro citou casos na América Latina em que preceitos financeiros do FMI foram seguidos à risca e ainda assim enfrentaram crises. "Foi o que aconteceu na Bolívia, onde um governo que havia adotado o modelo do FMI chegou a cair." "O Brasil foi poupado de muitas das turbulências que atingiram seus vizinhos, do Equador à Argentina, passando pela Venezuela e a Bolívia. Mas isso nos fez atentar para as conexões entre o nosso destino e o de nossos amigos sul-americanos", acrescentou o ministro. Diálogo O ministro frisou que a política externa brasileira não prevê nem um rompimento com o FMI nem a adoção de uma postura mais dura com o mercado internacional. "Queremos que o comércio internacional seja menos desigual em relação aos países em desenvolvimento, tanto no que diz respeito a subsídios agrícolas, como em restrições à propriedade intelectual", disse o ministro. Amorim acrescentou que muitas vezes países ricos beneficiam com subsídios agricultores ineficientes e, em contrapartida, impõem condições duras ao mercado agrícola dos países em desenvolvimento. Queremos seguir recebendo investimentos produtivos do exterior. Claro que é necessário adotar uma política fiscal, mas é preciso certa margem de crescimento, porque, sem isso, o próprio investimento estrangeiro não se interessará, pois busca resultados. É isso que o presidente Lula falou com o diretor-gerente do FMI", disse Amorim. |
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