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Atualizado às: 11 de março, 2004 - 23h38 GMT (20h38 Brasília)
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Espanha amplia investigação sobre atentados
Vítima da explosão
A rainha Sofia e o príncipe Felipe estão visitando os feridos nos hospitais
As autoridades espanholas estão seguindo pelo menos duas linhas de investigação na busca pelos autores dos atentados desta quinta-feira em Madri, que deixaram pelo menos 190 pessoas mortas e mais de 1,2 mil feridos.

A rede Al-Qaeda teria assumido a responsabilidade pelos atentados em um comunicado enviado à sede do jornal árabe Al-Quda Al-Arabi, em Londres, segundo as agências de notícias Reuters e France Presse.

Ainda na noite desta quinta-feira, o ministro do Interior da Espanha, Angel Acebes, anunciou que foi encontrada uma perua roubada no subúrbio de Alcalá de Henares, perto de Madri, com sete detonadores e várias fitas em árabe que continham versos do Corão.

Mas, anteriormente, as autoridades espanholas haviam atribuindo os atentados à organização separatista basca ETA.

Acebes afirmou que já instruiu as autoridades de segurança a não descartar nenhuma pista.

Explosões

A seqüência de explosões em trens foi registrada no centro de Madri na manhã desta quinta-feira.

Foram dez explosões em trens de passageiros nas estações de Atocha, El Pozo e Santa Eugenia, por volta das 7h35 (3h35, horário de Brasília), a hora de maior movimento da manhã.

A polícia explodiu de forma controlada outras três bombas que foram encontradas.

Três dos trens atingidos haviam partido da cidade de Alcalá de Henares e outro passou pelo subúrbio.

As explosões acontecem três dias antes das eleições gerais espanholas, e as autoridades do país inicialmente culparam o grupo separatista basco ETA pelas explosões.

No entanto, um líder do partido Batasuna, ligado ao ETA, negou a responsabilidade da organização.

'Gangues'

Um porta-voz do governo espanhol, Eduardo Zaplana, classificou as explosões como um “ataque à democracia espanhola” e chamou o ETA de “gangue de criminosos assassinos”.

O porta-voz do Batasuna, Arnold Otegi, disse à rádio Popular que o ETA sempre faz telefonemas de alerta antes de um ataque.

As autoridades dizem que não houve qualquer aviso antes das explosões.

"O modo de operar, o alto número de vítimas e a maneira como foi feito o ataque me fizeram pensar. Tenho uma hipótese: a de que sim, pode ter sido uma célula em operação da resistência árabe", disse Otegi.

'Ferimentos terríveis'

Na estação de Atocha, a mais movimentada da capital espanhola, as explosões ocorreram quando o trem estava chegando.

Passageiros saíam do local atônitos e ensangüentados.

"As pessoas começaram a gritar e correr, alguns se chocando contra os outros", disse à agência de notícias Associated Press (AP) Juani Fernandez, um servidor público.

Os serviços de emergência instalaram centros de atendimento em um ginásio de esportes e os hospitais de Madri fizeram apelos por doações de sangue.

Nos hospitais de Madri, os relatos são de que há feridos em estado terrível.

A rainha Sofia e o príncipe Felipe estão visitando os feridos nos hospitais.

Os partidos políticos espanhóis suspenderam atividades da campanha para as eleições de domingo.

Condenação

O grupo separatista ETA não assumiu responsabilidade pelos ataques, mas já foi condenado pela maioria dos partidos políticos.

"Não tenham dúvidas, os responsáveis serão apanhados e pagarão por seu crime", disse o ministro do Interior, Angel Acebes, enquanto visitava a estação de Atocha.

O governador da região autônoma basca, Juan José Ibarretxe, enfatizou que o ETA não representa o povo basco.

"Quando o ETA ataca, o coração basco se quebra em milhares de pedaços", disse ele.

Se o ETA for o responsável pelos ataques, esse seria o pior atentado já perpetrado pelo grupo em sua luta contra o governo espanhol.

Há menos de duas semanas, a polícia havia prendido dois homens suspeitos de integrar o ETA, carregando 500 kg de explosivos em uma caminhonete a caminho de Madri.

Em dezembro, a polícia espanhola disse ter descoberto uma trama do grupo separatista basco para explodir um trem em uma estação de Madri.

O ETA matou mais de 800 pessoas desde o início de suas atividades, no fim dos anos 60.

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