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Espanha amplia investigação sobre atentados | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As autoridades espanholas estão seguindo pelo menos duas linhas de investigação na busca pelos autores dos atentados desta quinta-feira em Madri, que deixaram pelo menos 190 pessoas mortas e mais de 1,2 mil feridos. A rede Al-Qaeda teria assumido a responsabilidade pelos atentados em um comunicado enviado à sede do jornal árabe Al-Quda Al-Arabi, em Londres, segundo as agências de notícias Reuters e France Presse. Ainda na noite desta quinta-feira, o ministro do Interior da Espanha, Angel Acebes, anunciou que foi encontrada uma perua roubada no subúrbio de Alcalá de Henares, perto de Madri, com sete detonadores e várias fitas em árabe que continham versos do Corão. Mas, anteriormente, as autoridades espanholas haviam atribuindo os atentados à organização separatista basca ETA. Acebes afirmou que já instruiu as autoridades de segurança a não descartar nenhuma pista. Explosões A seqüência de explosões em trens foi registrada no centro de Madri na manhã desta quinta-feira. Foram dez explosões em trens de passageiros nas estações de Atocha, El Pozo e Santa Eugenia, por volta das 7h35 (3h35, horário de Brasília), a hora de maior movimento da manhã. A polícia explodiu de forma controlada outras três bombas que foram encontradas. Três dos trens atingidos haviam partido da cidade de Alcalá de Henares e outro passou pelo subúrbio. As explosões acontecem três dias antes das eleições gerais espanholas, e as autoridades do país inicialmente culparam o grupo separatista basco ETA pelas explosões. No entanto, um líder do partido Batasuna, ligado ao ETA, negou a responsabilidade da organização. 'Gangues' Um porta-voz do governo espanhol, Eduardo Zaplana, classificou as explosões como um “ataque à democracia espanhola” e chamou o ETA de “gangue de criminosos assassinos”. O porta-voz do Batasuna, Arnold Otegi, disse à rádio Popular que o ETA sempre faz telefonemas de alerta antes de um ataque. As autoridades dizem que não houve qualquer aviso antes das explosões. "O modo de operar, o alto número de vítimas e a maneira como foi feito o ataque me fizeram pensar. Tenho uma hipótese: a de que sim, pode ter sido uma célula em operação da resistência árabe", disse Otegi. 'Ferimentos terríveis' Na estação de Atocha, a mais movimentada da capital espanhola, as explosões ocorreram quando o trem estava chegando. Passageiros saíam do local atônitos e ensangüentados. "As pessoas começaram a gritar e correr, alguns se chocando contra os outros", disse à agência de notícias Associated Press (AP) Juani Fernandez, um servidor público. Os serviços de emergência instalaram centros de atendimento em um ginásio de esportes e os hospitais de Madri fizeram apelos por doações de sangue. Nos hospitais de Madri, os relatos são de que há feridos em estado terrível. A rainha Sofia e o príncipe Felipe estão visitando os feridos nos hospitais. Os partidos políticos espanhóis suspenderam atividades da campanha para as eleições de domingo. Condenação O grupo separatista ETA não assumiu responsabilidade pelos ataques, mas já foi condenado pela maioria dos partidos políticos. "Não tenham dúvidas, os responsáveis serão apanhados e pagarão por seu crime", disse o ministro do Interior, Angel Acebes, enquanto visitava a estação de Atocha. O governador da região autônoma basca, Juan José Ibarretxe, enfatizou que o ETA não representa o povo basco. "Quando o ETA ataca, o coração basco se quebra em milhares de pedaços", disse ele. Se o ETA for o responsável pelos ataques, esse seria o pior atentado já perpetrado pelo grupo em sua luta contra o governo espanhol. Há menos de duas semanas, a polícia havia prendido dois homens suspeitos de integrar o ETA, carregando 500 kg de explosivos em uma caminhonete a caminho de Madri. Em dezembro, a polícia espanhola disse ter descoberto uma trama do grupo separatista basco para explodir um trem em uma estação de Madri. O ETA matou mais de 800 pessoas desde o início de suas atividades, no fim dos anos 60. |
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