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Só erro pode tirar nomeação de Kerry, dizem analistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A sólida liderança do pré-candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos John Kerry o colocou em uma posição em que só depende dele vencer a disputa, disseram à BBC Brasil analistas americanos. O pré-candidato, que até esta sexta-feira havia vencido 12 das 14 primárias que disputou, acumula o maior número de delegados democratas e já viu cair dois de seus adversários desde que começou sua trajetória de sucesso nas prévias democratas, em Iowa, no mês passado. John Rendon, ex-diretor-executivo do Partido Democrata, diz que Kerry só perde agora "se cometer um erro", como, por exemplo, falar algo que não cair no gosto do público. "Mas eu conheço Kerry há mais de 25 anos, ele é um excelente servidor das causas públicas e tem fantásticos instintos políticos. Eu o vejo como o candidato democrata." Personalidade britânica A opinião de Rendon é reforçada por Wayne Bailey, professor de Ciência Política da Universidade de Stetson, na Flórida e membro do Comitê Nacional Democrata por oito anos. "Eu acredito que Kerry tem o tipo de personalidade precavida, estilo britânico, que o faz muito controlado e, ao contrário de Howard Dean, ele tem menos potencial para dizer algo estúpido", disse, referindo-se a um discurso exaltado feito por Dean em janeiro que teve impacto negativo na opinião pública americana. Os analistas dizem não se lembrar de nenhum processo pré-eleitoral nas últimas décadas em que um candidato estivesse tão na frente dos outros e terminasse perdendo a disputa. "Na história moderna, não houve nenhum candidato que ganhasse a indicação tão rápido que não fosse um que já estivesse no poder, como presidente", disse Rendon, já contando com a indicação de Kerry. Ajuda dos rivais Para David Brady, pesquisador sênior do instituto de pesquisa Hoover Institution, ligado à Universidade de Stanford, na Califórnia, nem mesmo um erro de Kerry poderia tirá-lo da disputa. "Para que isso acontecesse, (John) Edwards teria que ter vencido no Tennessee e na Virgínia e, então, poderia alegar que nenhum candidato democrata foi eleito sem obter o apoio dos Estados do sul", disse.
Brady acha que Kerry também pode ter sido ajudado por um erro de estratégia de outros pré-candidatos. "Logo de início, (o pré-candidato Howard) Dean atacou (Dick) Gephardt, e isso não funcionou. O resultado foi que ninguém mais atacou ninguém. Basicamente, eles fizeram suas campanhas atacando George W. Bush e isso significou que ninguém foi atrás de Kerry." Anti-Bush Mas o analista não acha que esse tenha sido o único fato que beneficiou o senador de Massachusetts nesta corrida pré-eleitoral. "Eu acho que nestas eleições os democratas decidiram que querem realmente se livrar de George W. Bush, e o resultado disso é que estão se esquecendo da questão da ideologia e da posição dos candidatos e se perguntando: quem pode derrotar Bush?", disse. John Rendon e Wayne Bailey têm opiniões semelhantes. "John Kerry (...) fica mais forte como resultado da crença, dentro do Partido, que ele pode ganhar", disse Rendon.
"Eu noto que, neste ano, diferentemente de outras eleições, os democratas parecem estar se concentrando mais na capacidade de os candidatos serem eleitos e menos na ideologia", completou Bailey. Brady concorda: "Eu acho que é específico contra Bush. Eles (os eleitores democratas) não gostam do Bush e, dessa forma, eleitores de Iowa ou New Hampshire, que provavelmente teriam preferido Dean ou Clark ou outro candidato, acharam que Kerry era a melhor escolha". "Eles queriam um candidato que eles acham que poderia ganhar. (...) E o embalo só tem aumentado para ele", completou. |
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