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Atualizado às: 28 de janeiro, 2004 - 09h36 GMT (07h36 Brasília)
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Cronologia: O Caso Kelly e o Inquérito Hutton
David Kelly

O Inquérito Hutton foi aberto para investigar as circunstâncias que cercaram a morte do cientista britânico David Kelly.

Em julho de 2003, depois de ver seu nome envolvido em uma disputa entre a BBC e o governo britânico sobre as justificativas para a guerra no Iraque, Kelly morreu - aparentemente, o cientista se suicidou.

David Kelly foi a fonte de uma reportagem da BBC que alegava que o governo do primeiro-ministro Tony Blair exagerou as informações de inteligência sobre as armas do Iraque para justificar uma guerra contra o regime de Saddam Hussein.

Para entender a seqüência de fatos relacionados ao Caso Kelly e ao Inquérito Hutton, acompanhe a cronologia abaixo:

24 de setembro de 2002 - O governo britânico publica um dossiê com informações dos serviços de inteligência sobre a ameaça representada pelo regime de Saddam Hussein no Iraque. O documento afirmava que as forças iraquianas poderiam lançar um ataque com armas de destruição em massa 45 minutos depois de uma ordem de Saddam.

22 de maio de 2003 - Em encontro com Patrick Lamb, funcionário do Ministério das Relações Exteriores britânico, David Kelly admite ter conversado com a BBC.

29 de maio de 2003 - O repórter Andrew Gilligan, da BBC, afirma durante participação no programa de rádio Today ter recebido de uma fonte dos serviços de inteligência, envolvida na elaboração do dossiê, a informação de que o governo britânico teria "tornado mais atraente" (tradução livre para a expressão em inglês sexed up) o documento. O governo britânico contesta o teor da reportagem e diz que o dossiê foi elaborado integralmente pelos serviços de inteligência.

1º de junho de 2003 - Em artigo publicado pelo jornal Mail on Sunday, Gilligan afirma que Alastair Campbell (na época, chefe de comunicações do gabinete do primeiro-ministro britânico, Tony Blair) foi o responsável pelas alterações que teriam "tornado mais atraente" o dossiê.

2 de junho de 2003 - Susan Watts, editora de Ciência do programa de televisão Newsnight, da BBC, diz em uma reportagem que a alegação incluída no dossiê de que o Iraque poderia atacar em 45 minutos causou polêmica entre especialistas em armas. A jornalista do Newsnight – diferentemente de Andrew Gilligan – não chegou a apontar o governo como o responsável pela inclusão da alegação dos 45 minutos no dossiê.

Governo x BBC

6 de junho de 2003 - Alastair Campbell reclama da BBC por causa da reportagem original de Andrew Gilligan. Em uma carta ao diretor de jornalismo da BBC, Richard Sambrook, Campbell diz que a reportagem deu a impressão de que o governo britânico levou o país à guerra no Iraque com base em informações falsas.

17 de junho de 2003 - Patrick Lamb diz ao vice-diretor do serviços de inteligência de defesa britânico, Martin Howard, que David Kelly havia conversado com a BBC.

19 de junho de 2003 - O repórter Andrew Gilligan presta depoimento ao Comitê de Assuntos Externos do Parlamento britânico.

25 de junho de 2003 - O então chefe de comunicações de Blair, Alastair Campbell, presta depoimento ao Comitê de Assuntos Externos do Parlamento britânico.

26 de junho de 2003 - Campbell escreve uma carta para a BBC em que exige uma retratação da reportagem de Andrew Gilligan.

27 de junho de 2003 - Gilligan revela para o diretor de jornalismo da BBC o nome de David Kelly como fonte de sua reportagem.

30 de junho de 2003 - David Kelly admite, em um comunicado ao seu superior direto, ter conversado com Gilligan.

4 de julho de 2003 - O Ministério da Defesa britânico adverte Kelly a evitar qualquer novo contato com jornalistas.

7 de julho de 2003 - Depois de estudar o assunto, o Parlamento conclui que Campbell não teve responsabilidade na inclusão da alegação dos 45 minutos no dossiê sobre o Iraque. Os parlamentares afirmam que Campbell "não exerceu ou procurou exercer influência inapropriada" na elaboração do dossiê. O comitê parlamentar, no entanto, conclui que a alegação dos 45 minutos "não justificava a importância que recebeu".

O nome de Kelly

9 de julho de 2003 - Questionado por jornalistas, o Ministério da Defesa britânico confirma o nome de David Kelly como fonte da reportagem de Andrew Gilligan.

15 de julho de 2003 - Kelly comparece ao Comitê de Assuntos Externos do Parlamento britânico.

16 de julho de 2003 - Kelly presta depoimento ao Comitê de Inteligência e Segurança do Parlamento britânico.

17 de julho de 2003 - David Kelly deixa sua casa, em Oxfordshire, para dar uma caminhada. Ao perceber que o cientista estava demorando para voltar, a mulher de Kelly chama a polícia.

18 de julho de 2003 - Durante o trabalho de buscas, o corpo de David Kelly é encontrado pela manhã.

19 de julho de 2003 - Os resultados da autópsia em Kelly são divulgados. Peritos concluem que a morte foi um suicídio ao encontrar cortes nos pulsos do corpo do cientista. Tony Blair anuncia a abertura de um inquérito público sobre a morte de Kelly.

20 de julho de 2003 - A BBC informa que David Kelly foi a fonte da reportagem de Andrew Gilligan.

O Inquérito Hutton

1º de agosto de 2003 - O inquérito sobre a morte de Kelly é oficialmente aberto, sob a responsabilidade do lorde Brian Hutton – um dos juízes mais experientes da Grã-Bretanha.

11 de agosto de 2003 - Durante a primeira semana de depoimentos, o Inquérito Hutton investiga o papel de David Kelly na elaboração do dossiê sobre o Iraque. Andrew Gilligan e Susan Watts prestam depoimento. Gilligan admite que sua reportagem "não foi perfeita".

19 de agosto de 2003 - Alastair Campbell presta depoimento ao Inquérito Hutton e nega participação na inclusão da alegação dos 45 minutos no dossiê. Repórteres dos jornais The Guardian, The Observer e The Times também prestam depoimento sobre o Caso Kelly.

28 de agosto de 2003 - O depoimento do primeiro-ministro Tony Blair é o principal destaque da terceira semana do Inquérito Hutton. Blair assume total responsabilidade pelas decisões tomadas pelo governo com relação a David Kelly. O ministro da Defesa britânico, Geoff Hoon, depõe e diz conhecer poucos detalhes sobre o papel do Ministério no assunto. O presidente do Conselho Administrativo da BBC, Gavyn Davies, também presta depoimento e admite que não sabia da opinião do editor de Andrew Gilligan, que considerou imprecisa a reportagem sobre a alegação dos 45 minutos.

1º de setembro de 2003 - A mulher de David Kelly, Janice, depõe ao Inquérito Hutton, acompanhada pela filha Rachel. O depoimento detalha o estresse pelo qual o cientista passava depois que seu nome foi revelado. Brian Jones, ex-funcionário dos serviços de inteligência britânicos, explica como o dossiê sobre o Iraque foi elaborado e diz que a equipe responsável pelo documento sofreu pressão em determinados aspectos.

4 de setembro de 2003 - A primeira fase do Inquérito Hutton é concluída.

15 de setembro de 2003 - O inquérito é retomado com depoimentos de Andrew Gilligan e Greg Dyke, diretor-geral da BBC. Dyke afirma que os ataques de Alastair Campbell a BBC foram "sem precedentes", mas diz também que um e-mail de Andrew Gilligan que revelou o nome de Kelly para alguns parlamentares foi "inaceitável". Gilligan admite ter cometido "atos falhos" na transmissão ao vivo de sua reportagem.

22 de setembro de 2003 - Alastair Campbell e Geoff Hoon voltam a prestar depoimento no inquérito. O ministro da Defesa insiste que não havia nenhuma evidência de que o governo tivesse revelado o nome de David Kelly de maneira deliberada. Trechos do diário de Campbell são apresentados. Os textos revelam que o ex-assessor de Blair acreditava que a divulgação do nome de Kelly colocaria Gilligan em uma posição muito difícil.

25 de setembro de 2003 - O Inquérito Hutton é encerrado, e o lorde Brian Hutton anuncia que um relatório com suas conclusões será apresentado em dezembro. O advogado da família de David Kelly diz que o cientista foi utilizado pelo governo "como um boneco na batalha política com a BBC". O governo argumenta que é "completamente injustificável" criticar o governo pelo vazamento do nome de Kelly.

A apresentação do relatório do Inquérito Hutton, prevista para dezembro, é adiada para 28 de janeiro de 2004.

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