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Crianças fumantes são tradição em festa na Itália
Um garoto italiano tem nove anos. No sábado, entre jogar bola, almoçar com a família e ver TV, ele passou o dia inteiro fumando cigarros – assim como todos os seus amigos no restante da cidade. Bem-vindos a Capena, uma pequena cidade medieval ao norte de Roma onde a onda antitabagista ainda parece não ter surtido efeito. Todo ano, como em muitas cidades na Itália, seus moradores acendem uma fogueira para celebrar a festa de Santo Antônio. Mas, diferentemente de outros lugares, em Capena os habitantes usam a fogueira na praça central para acender seus cigarros. Festival O governo italiano parece estar seguindo a tendência mundial este mês, introduzindo uma nova legislação rigorosa que proíbe o fumo em bares e restaurantes. Mas isso não intimidou a população de Capena. Como em outros anos, as crianças eram as que se mostravam mais animadas em participar da festa. Lorenzo, de seis anos, participa do festival desde seu primeiro ano de vida. Ainda lhe faltam sete anos para poder comprar cigarros legalmente, mas tudo bem. "Meus pais me compraram alguns." Nos últimos 11 anos, Rosalba tem viajado de um vilarejo próximo para as comemorações em Capena. Ela tem fotos de seus filhos Giulia, 9, e Lorenzo, 6, posando com cigarros desde que tinham um ano de idade. "Eles não fumam direito", conta Rosalba. "Uma vez, Giulia tentou tragar e começou a tossir", acrescenta ela, rindo. "Mas não estou preocupada se eles vão começar a fumar ou não." Ali perto, uma mãe encoraja Agostino, seu filho de apenas dois anos, a tentar suas primeiras tragadas. Ele não parece empolgado com a idéia. Origem Emanuel, de nove anos, faz questão de dizer que não fuma para Santo Antônio porque isso faz mal a ele. O resto de seus amigos, porém, respeita a tradição. "Gosto de fumar", conta Tancredi, de 10 anos. "Ajudo na missa, depois venho para cá. Meus pais acham que não tem problema porque é só uma vez por ano."
Tudo começou de forma inocente há centenas de anos em Capena. À época, fumava-se alecrim. Alguns italianos se mantiveram fiéis a essa tradição, mas a maioria agora prefere os cigarros. Tudo isso deixa o prefeito, Riccardo Benigni, numa situação esquisita, já que ele é coincidentemente o médico do vilarejo. "Isso não é bom. Posso dizer isso como médico e não-fumante. Não é que eu goste desta nova tradição. Claro que não é um bom exemplo e as origens eram totalmente diferentes", conta, acrescentando que há esforços para desencorajar as crianças do fumo. Neste ano, pela primeira vez, havia um cartaz próximo à fogueira sugerindo aos pais que dessem aos filhos doces em vez de cigarros. Alguns mais novos foram vistos tragando cigarros de chocolate, mas a maioria ignorou a mensagem da prefeitura. |
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