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Atualizado às: 12 de janeiro, 2004 - 04h18 GMT (02h18 Brasília)
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Bush sempre quis derrubar Saddam, diz ex-secretário
George W. Bush
O governo Bush não comentou as acusações de O´Neill

Um ex-funcionário de alto escalão, demitido pelo governo Bush, afirma que o principal objetivo da guerra no Iraque foi a derrubada de Saddam Hussein.

George W. Bush e a coalizão aliada respaldaram a ação militar na suposta presença de armas de destruição em massa em território iraquiano.

No entanto, o ex-Secretário do Tesouro, Paul O´Neill, acusa Bush de planejar a invasão ao Iraque logo após assumir a presidência, três anos atrás.

“Desde o princípio, havia a convicção de que Saddam precisava sair de cena”, disse o ex-Secretário.

"Cego numa sala de surdos"

O´Neill ficou no cargo durante quase dois anos até ser demitido em dezembro de 2002. Ele fez as declarações numa entrevista que foi ao ar neste domingo pela rede de TV americana CBS.

Na entrevista, ele dá uma visão nem um pouco elogiosa do estilo de liderança de Bush. Para ele, nas reuniões do governo, o presidente era como um cego em uma sala cheia de surdos.

O ex-Secretário deu a entrevista como parte da estratégia de lançamento do livro “O Preço da Lealdade”, de Ron Suskind, que é em grande parte baseado na visão de O´Neill sobre a administração Bush.

Ainda falando à televisão, O´Neill disse que o goveno Bush parece acreditar que pode fazer o que bem entender em países estrangeiros.

Em outra entrevista, à revista semanal Time, ele diz que, enquanto trabalhou para o governo, nunca viu nenhuma prova da existência de armas de destruição em massa no Iraque.

O autor do novo livro, Ron Suskind, contou à CBS ter recebido documentos do ex-Secretário e de outras fontes comprovando que durante os primeiros cem dias do governo Bush, assessores já estavam procurando opções militares para tirar Saddam Hussein do poder.

Segundo o autor, existiria até mesmo um memorando com o título “Plano para o Iraque Pós-Saddam”.

O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, não quis comentar as acusações, afirmando com uma dose de ironia, não fazer “crítica literária”.

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