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EUA criticam medidas contra visitantes americanos no Brasil
Um representante do governo americano criticou o Brasil por exigir as impressões digitais dos cidadãos americanos que chegam ao país e pediu um revisão da decisão brasileira. "Eles (os brasileiros) têm de explicar por que estão fazendo isso. Se é vingança, uma reciprocidade ou então o que (é)", disse nesta terça-feira em uma coletiva o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher. Até a segunda-feira, a posição oficial do governo americano a respeito do assunto era a de que o Brasil, como país soberano, tem o direito de tomar as medidas que julgar necessárias em suas fronteiras. Mas, com americanos esperando em filas de até nove horas em aeroportos brasileiros para ter suas impressões digitais registradas pela Polícia Federal, a pressão aumentou. Mudanças "Dissemos ao governo brasileiro que estas medidas são um inconveniente aos passageiros e que precisam ser mudadas, sim", disse Richard Boucher. O porta-voz disse que o Departamento de Estado acredita que a medida brasileira foi tomadas às pressas, sem o planejamento necessário.
"Não é algo que foi planejado cuidadosamente no decorrer de um ano. E é uma política que resultou em atrasos bastante grandes." Segundo Boucher, a medida prejudica os viajantes americanos, mas também o Brasil. "Francamente, isso não interessa ao Brasil em termos de atrair negócios e turistas", disse. Justiça A decisão de tirar as impressões digitais de turistas americanos no Brasil não foi tomada pelo Executivo brasileiro, mas por um juíz federal. O juiz Sebastião da Silva se baseou no princípio de reciprocidade, consagrado na política externa brasileira, para determinar a medida. Mas, nesta terça-feira, Boucher disse que, ao contrário do sistema americano, a medida implantada pelo Brasil é discriminatória. O porta-voz destacou que o programa US-Visit exige fotos e impressões digitais de todos os passageiros que chegam ao país com um visto, o que só deixa de fora os portadores de passaportes de 28 nações - a maioria da Europa - que não precisam de visto para vir ao Brasil. "O programa americano foi cuidadosamente formulado para evitar inconvenientes aos passageiros", disse Boucher.
Ele também salientou que está nas mãos das autoridades brasileiras decidir o que fazer para mudar o sistema que foi implementado - acabar com a tomada de digitais e fotos ou aprimorar a forma como a identificação é feita, para diminuir os atrasos. O porta-voz afirmou que a tomada de impressões digitais nos Estados Unidos acrescentou cerca de 15 segundos ao processo de passagem pela imigração, destacando que o país emprega alta tecnologia para obter as digitais sem uso de tinta e tira fotos digitais dos viajantes. Em contraste, o Brasil requer de cidadãos americanos dez impressões digitais com o uso de tinta, o que causa "atrasos significativos" no processo. Doação Boucher riu quando lhe foi perguntando se os Estados Unidos estariam dispostos a compartilhar a tecnologia do seu sistema de identificação de visitantes com as autoridades brasileiras. "Eu não acho que é uma questão de doação. Eu acho que é uma questão de preparação." Boucher também disse que está considerando a possibilidade de lançar um alerta consular oficial aos cidadãos americanos de que eles poderão ter problemas ao chegar ao Brasil. "Eu não sei. Nós teremos que ver se essas medidas vão permanecer em vigor, e se seus efeitos sobre os viajantes continuam", conluiu o porta-voz. |
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