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Atualizado às: 19 de dezembro, 2003 - 16h50 GMT (14h50 Brasília)
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'EUA toleraram uso de armas químicas por Saddam'
Donald Rumsfeld
Atual secretário de Defesa era enviado especial de Reagan

Uma reportagem publicada pelo jornal Americano Washington Post nesta sexta-feira afirma que o governo dos Estados Unidos tentou se aproximar de Saddam Hussein na década de 80 apesar do uso de armas químicas pelos iraquianos.

Segundo documentos secretos revelados pela publicação, enquanto criticava publicamente Saddam Hussein pelo uso de armas químicas, o governo americano tentava de forma sigilosa evitar que suas declarações públicas afetassem as relações entre os dois países.

De acordo com a reportagem, Donald Rumsfeld, atual secretário de Defesa americano e então enviado especial do governo de Ronald Reagan ao Oriente Médio, visitou o Iraque em março de 1984 com o objetivo de "melhorar as relações bilaterais, no ritmo escolhido pelo Iraque".

Rumsfeld teria sido instruído a dizer ao então ministro de Exterior do Iraque, Tariq Aziz, que uma declaração americana condenando o uso de armas químicas contra o Irã "foi feita estritamente por causa da forte oposição ao uso letal e incapacitante" dessas armas.

A visita, no entanto, teria como objetivo reparar eventuais danos nas relações entre os dois países causados pelas condenação pública ao uso de armas químicas.

Essa orientação teria sido expressa em um telegrama do então secretário de Estado, George P. Shultz, a Rumsfeld.

De acordo com o Washington Post, quando os detalhes da visita de Rumsfeld vieram a público no ano passado, o secretário disse que havia usado a viagem para alertar o Iraque sobre o uso de armas químicas.

Justificativa para a guerra

O governo americano usou o suposto programa de armas de destruição em massa do Iraque, incluindo agentes químicos e biológicos, como principal argumento para a guerra.

No entanto, diz o Post, nos anos 80, enquanto o Iraque estava em guerra contra o Irã, os Estados Unidos viam o governo de Hussein como um importante aliado contra a militância extremista xiita responsável pela revolução de 1979 no Irã.

"Washington temia que o exemplo iraniano ameaçasse as monarquias aliadas no Kuwait, na Arábia Saudita e na Jordânia", afirma o jornal.

Em público, o governo americano se manteve neutro.

"Secretamente, no entanto, os governos de (Ronald) Reagan (1981-89) e George H. W. Bush (1989-93) vendiam produtos militares para o Iraque, incluindo agentes químicos e biológicos letais, trabalharam para interromper o fluxo de armas ao Irã e adotou iniciativas diplomáticas discretas, como as duas visitas de Rumsfeld a Bagdá, a fim de melhorar as relações com Hussein", afirma o jornal.

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