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Atualizado às: 15 de dezembro, 2003 - 09h26 GMT (07h26 Brasília)
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Governos árabes expressam satisfação
Protesto em Amã, na Jordânia, contra a guerra no Iraque
Guerra levou população da Jordânia e de outros países árabes às ruas

Mais líderes árabes reagiram com aparente satisfação à notícia da captura do presidente iraquiano deposto Saddam Hussein.

O ministro do Exterior do Egito, Ahmed Maher, elogiou a prisão do ex-líder que, segundo ele, fez o povo iraquiano sofrer e provocou diversas crises na região.

"Eu não acho que alguém vá ficar triste por causa de Saddam Hussein. A prisão dele não muda o fato de que o seu regime havia acabado e é a consequência natural da queda do regime", afirmou Maher.

No domingo, dia em que foi anunciada a captura, o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, já havia se referido à prisão como um "grande acontecimento" e o embaixador da Arábia Saudita em Washington, o príncipe Bandar bin Sultan, afirmara que a captura "vai pôr um fim ao infame capítulo da história do Iraque e da região".

O governo da Jordânia também se mostrou otimista com a prisão e já se posicionou sobre o futuro do líder deposto.

Por meio de uma porta-voz, as autoridades do país afirmaram esperar que uma página tenha sido virada na história iraquiana e que a população do país possa "assumir as suas responsabilidades assim que possível e construir o seu futuro como deseja".

"A primeira e última palavra sobre a captura de Saddam Hussein ou o seu destino devem ser dadas ao povo iraquiano."

Irã e Kuwait

A reação foi ainda mais enfática no caso do Irã e do Kuwait, países que foram invadidos pelas tropas iraquianas durante o regime de Saddam Hussein.

"O Kuwait hoje se sente mais relaxado e seguro depois da saída desse tirano e agora que está certo que ele nunca mais vai retornar. O povo do Kuwait está feliz com o povo iraquiano", afirmou o ministro da Informação do país, Mohammed Abulhassan.

"Os iranianos sofreram muito por causa dele e as valas comuns no Iraque provam os crimes que ele cometeu contra o povo iraquiano", disse o vice-presidente iraniano, Ali Abtahi.

Tanto o Irã, invadido pelo Iraque de Saddam em 1980, quanto o Kuwait, invadido em 1990, defenderam que Saddam seja julgado pelos crimes cometidos durante o seu regime.

Já o governo sírio foi mais evasivo. "A posição da Síria em relação ao Iraque não é baseada no destino de indivíduos. Nós queremos um Iraque que preserve a sua integridade territorial, a sua unidade e a sua soberania."

'Rua árabe'

Apesar das reações oficiais, correspondentes da BBC informam que o sentimento na "rua árabe" é misto.

O correspondente no Cairo Paul Wood diz que a verdade, difícil para os americanos aceitarem, é que Saddam é um herói para uma parcela considerável da população árabe, principalmente por ter se contraposto ao que os árabes vêem como o poder imperialista americano no Oriente Médio.

Para essa parcela, teria sido frustrante assistir às cenas de Saddam Hussein se rendendo sem resistência.

O jornal pan-arabista Al-Quds Al-Arabi, baseado em Londres, define a prisão como "um choque e uma desgraça para milhões de árabes".

"Nós esperávamos que ele fosse resistir até o fim e, no processo, cair como um mártir, como os seus filhos e o seu neto fizeram, ou seguir a saída de Hitler, dando um tiro em si mesmo ou engolindo veneno", afirma o editorial do jornal.

O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, não se manifestou oficialmente.

Já um líder do grupo militante palestino Hamas, Abdel Aziz al-Rantissi, não escondeu sua decepção com a captura de Saddam.

Rantissi disse que os Estados Unidos "vão pagar um preço alto pelo erro (de prender Saddam)".

Para a parte da população palestina que vê Saddam como um herói por sua atitude em relação a Israel e aos Estados Unidos, a notícia também foi recebida com incredulidade e tristeza, segundo a agência de notícias Reuters.

"É um dia negro na história", disse Sadiq Husam, de 33 anos, um motorista de táxi em Ramallah, na Cisjordânia, ao saber da notícia, no domingo.

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