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Paquistaneses tentam a sorte no futebol brasileiro
Sob um céu cinzento, os jovens jogadores do Resende Futebol Clube comparecem ao treino. O Resende é um clube modesto. A 150 km do Rio de Janeiro, é o tipo de lugar onde jovens jogadores treinam duro e sonham em fazer parte da longa lista de lendas do esporte no país, como Pelé, Ronaldo e Bebeto. Os irmãos paquistaneses Zeshan e Arfan esperam deixar sua marca no Resende. "Nasci no Paquistão, mas me mudei para a Inglaterra em 1994 e passei minhas férias aqui no ano passado", disse Mohammed Arfan Akram, de 19 anos, que se mudou para o Brasil com o irmão Mohammed Zeshan, de 18 anos. Desafios "Meu irmão e eu participamos de um jogo-teste, e eles (representantes do time) nos convidaram a voltar." No próximo ano, eles esperam jogar como titulares pelo Resende e, então, talvez se mudar para um clube maior. "Do ponto de vista do futebol, as coisas não poderiam ser melhores", diz Zeshan. "O jogo inglês pode ser muito rápido e violento. Aqui os jogadores são mais relaxados. Eles não fazem muito esforço e deixam o outro time trabalhar duro." Português Os irmãos tiveram seu primeiro gostinho do futebol brasileiro ainda na Inglaterra. Entre exames escolares, eles freqüentaram uma escola de futebol de salão na cidade de Leeds. A vida nova apresenta vários desafios, a maioria deles fora do campo. "Nós não falamos português", diz Arfan. "E nossa alimentação também tem sido um problema. Somos muçulmanos rígidos, e não há muitos açougues halal (forma de tratamento dos alimentos atendendo aos preceitos do Corão) em Resende." Piadas à parte, Arfan e Zesham levam sua religião extremamente a sério. Uma cópia do Corão está colocada num lugar de honra na sala-de-estar do apartamento onde moram os dois. Eles fazem suas orações cinco vezes por dia. Islã "O Islã é um estilo de vida para nós", diz Zesham, "nos mantém no caminho certo e não é mais difícil seguir (seus ensinamentos) do que em qualquer outro lugar." De volta ao campo, os irmãos ficam sob olhar atento de Merica, o técnico do Resende. "Esses garotos são bons", diz Merica, "eles têm uma boa técnica e, como muitos jogadores ingleses, são fortes. E quem sabe o que eles aprenderem aqui pode ajudar a levá-los a um time grande na Inglaterra." "Eles são jogadores muito bons", diz Rafael, um atacante do clube, "mas eles podem melhorar muito aqui. No Brasil, temos muitos truques para ensinar a eles." |
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