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Muro de Israel na Cisjordânia isola aldeias palestinas
O complexo de muros e cercas que Israel está construindo na Cisjordânia desenha uma faixa irregular ao longo de toda a borda oeste dos territórios palestinos. Esta faixa vai ficar do lado oeste do muro, o lado israelense, e inclui aproximadamente 16% da área da Cisjordânia. Em certos pontos, o muro avança algumas centenas de metros nos territórios palestinos, em outros, o avanço já é de quilômetros, sendo que a penetração mais profunda ocorre na região do assentamento de Ariel, que fica a 20 quilômetros da fronteira original. Nesta região existem 66 assentamentos israelenses que serão anexados à Israel e 53 aldeias palestinas que ficarão isoladas, desconectadas tanto dos territórios palestinos quanto de Israel. Segundo as autoridades israelenses, o objetivo da obra é “criar uma barreira de segurança, para impedir a passagem de terroristas em direção as cidades israelenses”. 'Anexação' O primeiro ministro Ariel Sharon afirmou que a barreira não é política e não tem a finalidade de marcar o delineamento de novas fronteiras de maneira unilateral. Porém, os porta-vozes palestinos afirmam que a construção das cercas e muros gera de fato a anexação de partes do território palestino a Israel. Segundo os porta-vozes, as terras anexadas são as mais férteis e nesta região, onde se encontra a maioria das fontes de água da Cisjordânia, principalmente na área das cidades de Tulkarem e Qalqylia, conhecida como “jardim da Palestina”. Aproximadamente 12 mil palestinos, residentes em 16 aldeias na parte noroeste da Cisjordânia já foram anexados a Israel. Nesta parte já foram concluídas as obras do primeiro trecho do muro. Segundo o traçado do segundo trecho, já aprovado pelo governo israelense, mais 103 mil palestinos, residentes em 37 aldeias, deverão ter o mesmo destino até a finalização da construção. Empobrecimento As aldeias palestinas que ficaram isoladas nesta faixa que as autoridades israelenses chamam de zona da fronteira estão passando por um processo rápido de emprobecimento pois perderam o acesso às outras cidades e aldeias palestinas e não podem comprar ou vender mercadorias. Dessas aldeias os moradores só podem sair a pé, passando por pontos de checagem militares ou por portões instalados nas cercas, que geralmente permanecem trancados e ocasionalmente são abertos pelos soldados israelenses. Desde o início de outubro a faixa anexada foi declarada “zona militar fechada”. Os moradores das aldeias isoladas foram informados que devem se registrar junto às autoridades israelenses para receber uma permissão de permanência na área. A permissão é dada por periodos que variam de um mês a um ano. Sem a permissão, os moradores correm o risco de não poder voltar para suas casas. As aldeias isoladas são fechadas com cercas por todos os lados. Segundo o plano já publicado, em duas regiões será construída uma cerca dupla: perto do assentamento de Beit Arie, que fica a leste do aeroporto internacional de Ben Gurion, e perto da estrada que liga a cidade de Modiin a Jerusalém. De acordo com o traçado do segundo trecho do muro, haverá quatro enclaves principais onde estará concentrada a maioria das aldeias isoladas: na área de Modiin (noroeste de Jerusalém), na área das aldeias de Kibia e Na’alin, perto do assentamento de Gush Etsion no distrito de Belém e perto do assentamento de Elkana, ao sul de Qalqylia. |
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