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"Sou um anjo", diz Pinochet em entrevista a TV
O ex-presidente do Chile Augusto Pinochet, que faz 88 anos nesta quarta-feira, disse em entrevista a um canal de TV de Miami que se considera "um anjo" e que não guarda nenhum arrependimento pelo que aconteceu nos 16 anos em que governou o país (1973-89). "Nunca fui aspirante a ditador porque considero que as ditaduras terminam mal. Sempre atuei com senso democrático", afirmou Pinochet ao canal de TV em espanhol WDLP-22. Estima-se que três mil pessoas tenham desaparecido e outras milhares tenham sido presas e torturadas durante o regime militar, liderado por Pinochet. Na entrevista, o ex-presidente negou ter dado ordens para matar opositores e disse não ver por que teria que pedir desculpas aos chilenos. "A quem devo pedir desculpas? Dizem que devo pedir perdão. Pelo quê devo me desculpar? ", pergunta à repórter. Para Pinochet, os que fizeram oposição a seu regime, iniciado com um golpe de Estado em 1973, é que deveriam se desculpar. O ministro do Interior do Chile, José Miguel Insulza, qualificou as declarações do ex-presidente de "patéticas". "Pinochet tem a mesma desumanidade de sempre e continua com a mesma teimosia, ao não reconhecer os excessos", afirmou Insulza. "Este homem nunca vai reconhecer o que fez e sempre vai justificá-lo." Aniversário Pinochet, que sofre de diabetes, demência e outros problemas de saúde, disse que vai comemorar o seu aniversário com um almoço familiar. O ex-presidente chegou a cumprir 17 meses de prisão domiciliar na Grã-Bretanha entre 1998 e 1999 por causa das acusações de genocídio feitas pelo juiz espanhol Baltazar Garzón. No entanto, essa e várias outras tentativas de levá-lo à Justiça por abusos de direitos humanos falharam quando ele foi declarado fisica e mentalmente incapacitado de ser julgado. Na entrevista à TV de Miami, Pinochet anunciou que está escrevendo um livro de memórias intitulado Caminos recorridos (Caminhos Percorridos, em tradução livre) e disse ter deixado uma carta a seu advogado a ser publicada logo após a sua morte. Segundo Pinochet, essa carta contém "a verdade" do que ocorreu no Chile. |
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