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Atualizado às: 21 de novembro, 2003 - 14h03 GMT (12h03 Brasília)
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Cristovam Buarque: 'Vivemos num Titanic negreiro'

Marcelo Aguiar, do Bolsa Escola, e Cristovam Buarque
Marcelo Aguiar, do Bolsa Escola, e Cristovam Buarque

O ministro da Educação, Cristovam Buarque, atribui à elite brasileira a situação da camada mais pobre da população.

"Costumo dizer que a elite fez do Brasil um Titanic negreiro. Sabe o que é isso? É negreiro porque os porões vão cheios de pobres e é Titanic porque os ricos vão no convés, tomando champanhe, mas sabendo que caminham para um iceberg lá na frente. Esta é uma realidade da insensibilidade brasileira. "

Em entrevista à BBC Brasil, Cristovam Buarque disse que o Brasil é um país de elite insensível. "Todos nós, senão a gente não conseguiria viver em meio a tanta pobreza."

Ao falar sobre a situação dos jovens trabalhadores no Brasil, o ministro não poupou a sociedade. "Eu vejo a situação do trabalho infantil como uma vergonha para todos nós que pertencemos à elite brasileira. A elite fez todo o seu projeto econômico para ela e, para não dizer que não olha para os pobres, faz alguns programas assistenciais. Mas a elite foge da idéia de abolir os problemas dos pobres. Ainda não marcamos o prazo para acabar com o trabalho infantil no país."

Bolsa escola

Criador do Bolsa Escola quando ainda era governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque reconhece que o valor da bolsa - que durante a implementação do programa em Brasília era de um salário mínimo por família e hoje é de R$ 15 por criança - é muito baixo.

"O Bolsa Escola foi criado para manter as crianças na escola, levando para dentro as que estavam fora e evitando a saída das crianças. Levar para dentro incluía as que trabalhavam e as que não trabalhavam. É um instrumento de inclusão na escola. A gente não condiciona estar na escola a sair do trabalho, mas o trabalho infantil diminui muito."

"Hoje a bolsa deveria ser de R$ 240, mas quando o governo de Fernando Henrique Cardoso começou o programa a nível nacional, em 2001, pagava apenas R$ 15 por criança e o máximo de benefício a ser recebido por família é de R$ 45, por três crianças. A média que cada família recebe é R$ 24."

"O governo federal está mantendo este valor, estamos pagando 10% do que se pagava em Brasília. Para se ter uma idéia de como isso é pouco, o Missão Criança paga, na Tanzânia, US$ 20 por criança, cerca de três vezes mais do que no Brasil. Esse valor faz com que a gente nem consiga avaliar o Bolsa Escola aqui, de tão baixo que é. Ou aumentamos esse valor, ou ele não vai ter o resultado que nós esperamos."

O ministro acredita que o valor de um salário mínimo por família não é necessário em todo o território brasileiro. Ele defende meio salário mínimo no Brasil. "O que queremos já é chegar a R$ 50 por família, dobrar o valor atual. Mesmo assim, ainda será menor do que na Tanzânia."

Ainda não há prazo estabelecido para esse aumento, mas o ministro acredita que é possível mudar o valor até julho deste ano.

Segundo Marcelo Aguiar, secretário responsável pelo Bolsa Escola, esse valor proposto representa um aumento de 220% para 51% das famílias beneficiadas pelo programa. Segundo dados de abril, 5.057.492 famílias recebem hoje o auxílio.

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