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Atualizado às: 21 de novembro, 2003 - 13h59 GMT (11h59 Brasília)
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'Quem explora trabalho infantil é criminoso', diz Benedita

Ministra diz que é possível erradicar trabalho infantil
Ministra diz que é possível erradicar trabalho infantil

A ministra da Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, sofreu na pele os reflexos da exploração, da miséria e falta de oportunidade que cercam o trabalho infantil. Não é à toa. Hoje com 61 anos, a ministra começou a trabalhar ao sete fazendo carretos nas feiras da Zona Sul do Rio de Janeiro.

Hoje, com a responsabilidade e o desafio de ser um dos líderes do projeto de erradicar o trabalho infantil no Brasil, Benedita diz que é possível tirar as crianças do trabalho e que o “código da libertação é a educação”.

“É um objetivo do governo Luís Inácio Lula da Silva erradicar o trabalho infantil. Numa sociedade moderna existem atividades o bastante para preencher o dia das crianças, sem que precisem trabalhar”.

Benedita, que foi criada no Morro Chapéu-Mangueira, no Leme, trabalhou com faxineira, vendedora de pastel , bolinhos ou amendoin, engraxate e até como “assistente de parteira”.

Causas

“Minha mãe ía fazer os partos e tínhamos que ir junto. Quando a grávida não tinham filhos mais velhos precisávamos ainda pegar a água para o parto, e voltávamos na casa dela durante alguns dias para abastecê-la de água porque ela não poderia carregar peso”.

A ministra, levando em consideração sua experiência de vida, fez uma análise global do que reprensenta o trabalho infantil no Brasil, na sua opinião.

“Eu encaro os dois aspectos. É a oportunidade que falta a essa criança para ter educação e, também, o direito ao lazer e a falta de política para os seus pais.”

“Essa é a grande realidade. Por isso, é que nós estamos pensando em trabalhar a família. Não apenas a coisa isolada, não o menino e a menina, mas o lado político, social e econômico. Mas isso só pode ser feito com o desenvolvimento do núcleo da familia.”

A ministra assume que a questão é complexa. Para Benedita os pais não desejam ver seus filhos trabalhando, como era o caso de sua mãe, mas são empurrados pela miséria a levar os filhos ao trabalho. Do outro lado, chama de criminoso aquele que se aproveita do trabalho infantil.

“Era pura necessidade. Eu acordava cedo e ía fazer os meus carretos, mas levava meu uniforme dentro do carrinho. Minha mãe queria todos na escola.”

“Eu me lembro que trabalhava como doméstica e tinha que passar escovão na casa, porque não havia enceradeira. Será que os patrões não viam que eu era uma criança? E quando olhava minha patroa pensava: queria ver você colocar seu filho aqui no meu lugar!”.

De pai para filho

A ministra da Assistência Social, relembrando seus tempos difícieis de criança numa favela na zona sul do Rio, lamenta ao comentar que seus próprios filhos tiveram que trabalhar ainda menores de idade para complementar a renda familiar.

“Infelizmente, meus filhos precisaram trabalhar. Não tinha jeito. Agora, me sinto feliz ao saber que a minha neta, aos 19 anos, cursando universidade, decidiu trabalhar. Conseguimos mantê-la fora do trabalho até hoje. Fico feliz porque é a primeira geração da família que consegue ficar fora do trabalho durante a infância.”

Benedita da Silva está reestudando os projetos em andamento no ministério da Assistência e Promoção Social. Ela se diz satisfeita com alguns avanços alçancados pelos projetos em andamento, mas acha que a ação para erradicar o trabalho infantil precisa envolver a família e a sociedade.

“Precisamos atacar o problema com um todo. O Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) é apenas um paliativo, ele não pode ser a base de tudo. Precisamos envolver os pais e dar condições para que melhorem de vida e não contem mais com o trabalho dos filhos”.

A ministra aproveita para mandar um conselho para as crianças que estão na mesma situação que enfrentou na infância:

“Vá para a escola. Lute, porque o saber não ocupa lugar. Quando sabemos somos mais capazes de lutar porque queremos. O código da libertação é estudar. Lugar de criança é na escola, no lazer, e em casa, rodeada de todo carinho de afeto, não importa se é do pai da mãe e do vizinho”, finaliza a ministra.

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