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'Modernização' e alianças políticas podem ter motivado ataques
Os atentados de quinta-feira em Istambul contra o consulado britânico e o banco HSBC aconteceram apenas cinco dias após os dois ataques suicidas contra sinagogas. Diplomatas e analistas não tardaram a ver a mão da Al-Qaeda ou algum de seus aliados nas explosões de Istambul. Confrontados com essa possibilidade, ou mesmo probabilidade, muitos turcos se perguntam o porquê de eles estarem sendo alvo do ataque de outros muçulmanos. Na cabeça de extremistas muçulmanos do gênero da Al-Qaeda, no entanto, a "moderna" Turquia voltou as costas ao mundo muçulmano e se juntou ao Ocidente. Ela é um aliado dos Estados Unidos e Israel, membro da Otan e candidata a integrar a União Européia. Oposição Mais importante ainda, está comprometida com a modernização desde que foi fundada como uma república, nos anos 20. Para Osama Bin Laden e aqueles que pensam como ele, o problema não são as políticas adotadas pelo país, mas sim sua visão de mundo. Nesse sentido, é irrelevante se a Turquia manda ou não tropas ao Iraque. Ela se ofereceu para mandar soldados, mas recuou quando colheu reações contrárias de iraquianos. Interesses britânicos Não tem importância, então, se o governo é nacionalista modernizador ou, como no presente, comandado por um primeiro-ministro que se intitula um muçulmano democrata (na mesma linha dos europeus democratas-cristãos). A Turquia foi alvo porque, no universo do pensamento islâmico, ela representa o pólo oposto do islamismo do "jihad", defendido pelos radicais. Se os turcos buscam as razões, também o fazem muitos britânicos. Os terroristas parecem ter escolhido deliberadamente prédios com fortes conexões britânicas, o consulado e o HSBC, banco que tem sede em Londres. Mês santo A Grã-Bretanha, assim como a Turquia, é aliada dos Estados Unidos. Coincidindo com os atentados, o presidente americano realiza uma visita de Estado a Londres e fala calorosamente de seu forte relacionamento com o premiê britânico, Tony Blair. A Grã-Bretanha foi destacada como possível alvo em comunicado enviado a um jornal árabe de Londres, após os ataques contra duas sinagogas em Istambul, no sábado. O comunicado, atribuído a um ramo da al-Qaeda, assumiu a autoria e alertou que outros "carros da morte" alvejariam aliados americanos, especialmente Grã-Bretanha, Itália, Austrália e Japão. Se a onda de ataques a Istambul é realmente autoria da Al-Qaeda, operando em parceria com militantes islâmicos, parece que o grupo planejou para que eles coincidissem com o ramadã, o mês santo de jejum para os muçulmanos. Neste ano, o Ramadan já testemunhou ataques suicidas no Iraque e Arábia Saudita, além da Turquia. O mês santo termina em poucos dias, e os militantes parecem querer encerrá-lo com um clima sombrio de violência. |
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