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Atualizado às: 19 de novembro, 2003 - 19h42 GMT (17h42 Brasília)
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Ex-prisioneiros de Guantánamo falam sobre a prisão

Abdul Razik
Abdul Razik: preso durante missão de 'pregação religiosa'

Vários paquistaneses libertados da prisão de alta segurança americana em Guantánamo, em Cuba, têm comentado suas experiências.

"Não tenho reclamações contra os americanos ou contra os afegãos, e não vou pedir compensações a ninguém. Vou deixar para que Alá me recompense", disse Abdul Raziq.

Ele é um dos 11 paquistaneses libertados recentemente da prisão Campo Delta.

Os Estados Unidos mantêm 600 prisioneiros em Guantánamo. A maioria deles foi detida durante o conflito no Afeganistão, que ocorreu depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

Inglês

Com um diploma de mestrado em Agricultura, Raziq diz que ele foi preso no Afeganistão, enquanto estava numa missão de pregação religiosa.

"Eles me amarraram e me mandaram para Kandahar (no sudeste do Afeganistão) e depois para Cuba. Eu sofri porque falo inglês", disse.

Raziq, que vem da área tribal de Malakand, no Paquistão, jurou que nunca mais vai falar inglês.

Depois de 21 meses na prisão, no Afeganistão e em Guantánamo, ele diz que a vida por trás das grades era melhor no Campo Delta.

Amargo

"(Nas prisões afegãs) nós não tinhamos um lugar próprio para tomar banhos comuns ou para banhos de purificação. A comida não era suficiente. Mas em (Guantánamo) tinhamos um lugar próprio para tudo isso. Nos permitiam fazer caminhadas regulares", diz Abdul Raziq.

Outros ex-prisioneiros não são positivos a respeito de seu tempo em Guantánamo.

Abdul Mulla, por exemplo, é amargo em relação ao seu tempo na prisão.

O motorista de táxi do vilarejo de Thana, em Malakand, não quer sequer falar sobre o assunto.

"A que propósito isso vai servir? Vocês são todos infiéis", ele diz.

Shaqh Mohammed, de 24 anos, diz que a experiência o deixou mentalmente perturbado.

Shah Mohammed
Shah Mohammed: problemas mentais e indenização

Ele afirma que tentou cometer suicídio quatro vezes no Campo Delta.

"O estresse mental, juntamente com as preocupações sobre a situação em casa, me fizeram querer tirar minha própria vida."

E ele diz que as feridas mentais ainda não foram curadas.

"Eu acordo no meio da noite morrendo de medo. Acho difícil esquecer meu passado recente."

Tempo perdido

Shah Mohammed quer que os Estados Unidos o indenizem.

"Eles precisam me pagar pelos meus problemas mentais e pelo tempo perdido."

Ele não é o único paquistanês a sair de Guantánamo a pedir indenização por parte dos americanos.

Mohammed Sagheer, o primeiro paquistanês a ser libertado, no ano passado, deu entrada numa ação em um tribunal no Paquistão pedindo uma indenização de US$ 10,4 milhões dos Estados Unidos.

O homem de 53 anos, vindo do distrito do Kohistão, diz estar vivendo na penúria.

"Meus filhos pediram empréstimos para sobreviver durante a minha ausência. Agora os credores estão atrás do dinheiro", diz ele.

"Estou cheio de problemas."

Controvérsia internacional

As palavras de Sagheer fazem coro com os sentimentos de muitos dos egressos de Guantánamo.

O tratamento dispensado aos prisioneiros já se tornou assunto de controvérsia internacional, com diversas organizações de defesa dos direitos humanos reclamando de tortura e de prisões por tempo indefinido.

Representantes do governos americano negam que os prisioneiros sejam alvo de tortura, dizendo ainda que eles podem praticar sua religião e recebem cuidados médicos.

Pelo menos 40 prisioneiros já voltaram aos seus países de origem.

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