|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Ligação com Brasil divide setor privado argentino
O setor privado argentino vive hoje o dilema de continuar, ou não, ligado ao Brasil nas negociações para a formação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas). O economista Júlio Nogues, professor de Política de Comércio Internacional e Protecionismo Agrícola da Universidade Torcuato Di Tella, acredita que a Argentina deve rever sua decisão de negociar cada detalhe desse acordo em bloco. “A Argentina não pode dar carta branca em tudo ao Brasil", afirma. Mas o agricultor Enrique Crotto, ex-presidente da Sociedad Rural argentina, defende a negociação hemisférica junto com o Mercosul. "Num mundo globalizado, não podemos mais caminhar sozinhos", diz. 'Carta branca' Nogues argumenta que a Argentina avançou mais do que o Brasil, nas negociações já realizadas na OMC (Organização Mundial do Comércio) em pelo menos dois itens: serviços e propriedade intelectual. "Por essas diferenças, a Argentina precisa saber qual é o limite dessa carta branca que tem dado ao Brasil para negociar em seu nome", ressalta. Para ele, o Brasil tem posições claras nessas discussões, como a abertura do setor agrícola dos Estados Unidos e a decisão de não debater compras governamentais, investimentos e propriedade intelectual. Já a Argentina, afirmou ele, ainda não revelou quais são seus "interesses reais", limitando-se a dizer que acompanha o Brasil. "Se erramos na nossa estratégia atual, o Mercosul corre o risco de ficar isolado da Alca, e aí vamos perder mercado." Júlio Nogues ressalta ainda que o bloco não está assim tão unido nas discussões sobre a integração hemisférica, já que o Uruguai, a exemplo do que fez o Chile, está buscando o caminho para um acordo bilateral com os Estados Unidos. Tamanho "O Brasil sempre foi um aliado importante para a Argentina, mas, na minha opinião, nos últimos tempos, essa aliança tornou-se vital. O mercado brasileiro é três ou quatro vezes maior que o nosso e, portanto, com capacidade para se impôr nas negociacoes internacionais", diz o ex-presidente da Sociedad Rural argentina. O consultor agrícola Pablo Adreani vê de forma muito mais crítica a relação entre os dois países-vizinhos. “Eu era favorável a que a Argentina estivesse com o Mercosul na Alca, mas mudei de opinião porque o Brasil adotou medidas protecionistas agressivas que vão afetar a indústria argentina”, disse Adreani. “Então, já que é assim, é melhor que cada um siga seu caminho.” Adreani refere-se a um decreto assinado dias atrás pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentando impostos para a importação. 'Faísca' Exportadores argentinos desconfiam que a medida poderia afetar o preço de seus produtos no mercado brasileiro. A decisão do Brasil surpreendeu o governo e a iniciativa privada num momento de definições sobre a Alca. Um dos principais negociadores da Argentina no Mercosul, que pediu para não ser identificado, disse à BBC Brasil que o decreto assinado pelo presidente Lula gerou a "primeira faísca" na relação entre os dois países desde a posse do presidente Néstor Kirchner, há quase seis meses. “Porém nossa expectativa é de que tudo se resolva logo. Afinal, é mais fácil solucionar um problema com o vizinho e parceiro do que avancar no processo de criação da Alca”, afirmou. Apesar das atuais dificuldades, o agricultor Enrique Crotto acha que a união regional tem mais aspectos positivos do que negativos. "Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai são mais fortes juntos. O Mercosul representa um mercado de cerca de 200 milhões de pessoas, e isso não é pouca coisa." |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||