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Atualizado às: 08 de novembro, 2003 - 01h19 GMT (23h19 Brasília)
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Autoridade Palestina financia Al-Aqsa
O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat
Arafat nunca teria pedido cessar-fogo a militantes

A Autoridade Palestina está fornecendo dinheiro para membros do grupo militante Brigada de Mártires de Al-Aqsa, responsável por ataques suicidas contra civis israelenses, apurou a BBC.

No total, cerca de US$ 50 mil são pagos todo mês a membros do grupo, que se formou no início da atual revolta popular palestina (intifada), em setembro de 2000.

Um ex-ministro palestino disse ao programa de televisão BBC Correspondent que a prática não foi criada pelo presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, mas ocorre com o seu consentimento.

Abdel Fattah Hamayel – titular da pasta de Esporte e Juventude até a dissolução do gabinete do ex-primeiro-ministro Mahmoud Abbas (Abu Mazen), em setembro – justificou os pagamentos como uma tentativa de desestimular os militantes a realizar ataques suicidas.

"Originalmente, algumas pessoas desses grupos haviam sido escolhidas para trabalhar para os serviços de segurança. Por causa disso, estavam recebendo salários e ainda estão", afirmou o ex-ministro.

Hamayel disse ainda que o gabinete palestino decidiu no segundo trimestre deste ano pagar as despesas a membros do grupo que não recebiam salários para "ajudá-los a sustentar as suas famílias".

Arafat

No entanto, as Brigadas de Al-Aqsa nunca declararam uma trégua formal nas suas atividades armadas e, segundo um líder do grupo entrevistado no programa, nunca recebeu um pedido de Arafat para parar com os ataques suicidas.

"Quando Arafat convocar um cessar-fogo, nós vamos respeitar a decisão e parar", afirmou Zakaria Zubaydi, líder do grupo na cidade de Jenin, na Cisjordânia.

Yasser Arafat condenou em público ataques contra civis israelenses.

No entanto, as Brigadas de Mártires de Al-Aqsa não reivindicam ações suicidas desde maio.

Quando questionado se a Autoridade Palestina tinha como se certificar de que o dinheiro não era gasto em armas, Hamayel disse que o valor enviado aos militantes era "muito baixo".

"(É de) no máxmo 250 dólares por pessoa. Como alguém pode comprar armas com essa quantia?"

Em abril do ano passado, tropas israelenses invadiram o quartel-general de Arafat, em Ramallah, como parte de uma grande operação de retaliação a uma série de ataques suicidas em Israel.

Na ocasião, o Exército israelense afirmou ter encontrado documentos que supostamente provavam que o líder palestino estava financiando militantes suicidas.

A alegação foi usada para isolar Arafat, com o argumento – apoiado pelo presidente americano, George W. Bush – de que ele não era confiável e de que estimulava o terrorismo, ao invés de coibi-lo.

Uma coisa só

O BBC Correspondent também revela que a organização política Fatah, de Arafat, tem fortes vínculos com as Brigadas de Mártires de Al-Aqsa.

Um representante da Fatah no campo de refugiados em Jenin, na Cisjordânia, afirmou que Arafat age como líder da Fatah e das Brigadas, que seriam o braço militar da organização.

"A Fatah tem duas seções: uma ala militar, liderada pelos militares, e uma ala política, liderada pelos políticos. Mas não há diferença entre a Fatah e as Brigadas de Mártires de Al-Aqsa."

Questionado se cumpriria uma ordem de Arafat para encerrar as hostilidades em relação a Israel, o líder das Brigadas em Jenin, Zakaria Zubaydi, respondeu: "Claro. Mas ele não vai mandar nós pararmos até que Israel pare com os assassinatos".

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