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Rebeldes de Angola no exílio criticam Lula
A guerra civil de 27 anos em Angola terminou em abril do ano passado, mas na província de Cabinda o conflito ainda continua. Os cabindenses lutam pela independência e milhares de pessoas já morreram desde o início da disputa, em 1975, ano da independência de Angola. Em Paris, o presidente do governo de Cabinda no exílio, António Luis Lopes - comandante das Forças de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC), organização que luta pela independência - critica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ignorar a questão de Cabinda durante sua visita a Angola. "O governo de Angola não foi eleito, é ilegal. Como o senhor Lula, que foi eleito, visita esse governo?", questiona. "Ele desconhece a situação do povo de Cabinda e parece que não quer conhecer, pois vai apenas a Luanda". Petróleo Não existem estatísticas sobre o número de mortos no conflito entre o governo de Angola e a FLEC, mas segundo Lopes, pelo menos 200 mil cabindenses vivem no exílio em diversos países do mundo, inclusive no Brasil. Lopes disse que os governos do mundo ignoram a crise na região, embora a FLEC esteja buscando uma solução pacífica para o conflito. "Estamos procurando um presidente que nos ajude a resolver a situação, mas o senhor Lula parece que ignora a situação", disse. Segundo ele, o petróleo está na origem do interesse do governo de Angola em manter Cabinda sob seu controle. O frei João Maria Futi, do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagascar (Secam), estima que 80% das reservas de petróleo de Angola já exploradas estão em Cabinda. "O petróleo é a principal causa do conflito e infelizmente, por causa dele, os direitos humanos são ignorados em Cabinda", disse o frei. Agravamento Segundo o frei Futi, o término da guerra civil entre Unita e MPLA pelo controle do governo de Angola agravou a situação em Cabinda. "O fim da disputa liberou as tropas do governo de Angola e aumentou a presença militar em Cabinda", afirmou. Lopes avalia em 40 mil o número de soldados angolanos em Cabinda. O frei contou que os homens nas florestas de Cabinda são identificados imediatamente como guerrilheiros pelo exército, e é grande o número de mortos. "São inúmeras casas queimadas, mulheres violentadas, pessoas presas sem qualquer processo em Cabinda e gente morta pelos soldados angolanos, mas ninguém fala nisso", disse. O frei defende a participação do Brasil na busca de uma solução pacífica por causa das ligações históricas e culturais do país com a Africa. Origem Cabinda era parte das colônias portuguesas na África, mas os cabindenses alegam que a região não fazia parte de Angola. Em 1962 foi criada a FLEC, que era um movimento semelhante a MPLA e Unita. Em 1975, Portugal "deu a independência de Angola, inclusive Cabinda, ao MPLA", segundo o frei. A FLEC rejeitou e recuou para as matas, iniciando a sua guerrilha pela independência da região. A igreja, de acordo com o frei Futi, tem sido "injustamente acusada de fazer parte da FLEC". O frei assegura que a igreja tem se limitado a tentar ser "porta-voz do povo sofrido de Cabinda, mas o governo chama isso de interferência". |
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