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Atualizado às: 01 de novembro, 2003 - 17h52 GMT (15h52 Brasília)
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Ministro do Iraque boicota reunião sobre situação no país
Veículo militar americano em Bagdá
Síria estaria hesitando ‘legitimar’ conselho indicado pelos EUA, que ocupam o Iraque

O ministro do Exterior do Conselho de Governo provisório do Iraque recusou um convite para participar, neste fim de semana, de uma reunião de representantes dos países do Oriente Médio, convocada para discutir a situação no Iraque.

O ministro, Hoshyar Zebari, disse que a forma como o convite foi feito foi um desrespeito à dignidade iraquiana.

O governo sírio, a princípio, não planejava convocar um representante do governo interino do Iraque, mas voltou atrás depois que três aliados dos Estados Unidos - Jordânia, Arábia Saudita e Kuwait - ameaçaram boicotar a reunião se o convite não fosse feito.

De acordo com Zebari, o Iraque não vai levar em consideração recomendações ou quaisquer acordos que forem fechados no encontro de Damasco.

Seis meses

A reunião acontece exatos seis meses depois que os Estados Unidos anunciaram o fim da fase principal de combates no Iraque - o que não significou o fim da violência no país.

O ministro do Exterior da Jordânia, Marwan Mu’ashir, disse que seria errado excluir o Iraque do encontro, quando o próprio Zebari já participou, em setembro, de uma reunião de ministros do Exterior de países da Liga Árabe.

Pós-guerra no Iraque
1º de maio: EUA declaram fim da fase principal de combates
13 de julho: Conselho de Governo é indicado pelos EUA
22 de julho: EUA anunciam morte de Uday e Qsay, filhos de Saddam
19 de agosto: Sérgio Vieira de Mello, enviado da ONU, e outras 19 pessoas são mortas em atentado em Bagdá
29 de agosto: O aiatolá Mohammed Al-Hakin, um líder xiita, é morto em atentado em Najaf
27 de outubro: Dezenas são mortos em diversos atentados em Bagdá
1º de novembro: 122 soldados americanos já morreram no Iraque desde 1º de maio (114 no período da guerra, entre março e abril)

De acordo com a correspondente da BBC no Cairo Heba Saleh, a Síria tem mostrado ‘extrema relutância’ em reconhecer a legitimidade de um conselho de governo indicado pelos Estados Unidos, o que ocorreria se o país passasse a ter negociações formais com seus membros.

Os governos de outros países árabes, porém, argumentam que “sabotar” o conselho apenas irá adiar a transferência de poder sobre o Iraque, hoje nas mãos da coalizão militar liderada pelos Estados Unidos, para os próprios iraquianos.

Um representante sírio disse que a reunião de Damasco, de dois dias, irá se concentrar na discussão dos efeitos que a situação no Iraque está tendo sobre os países vizinhos.

Um dos assuntos em pauta deve a decisão da Turquia de contribuir com soldados para a força militar multinacional que está no Iraque.

A possibilidade não foi bem recebida por representantes da minoria curda que vive no norte iraquiano.

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