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Atualizado às: 31 de outubro, 2003 - 18h59 GMT (16h59 Brasília)
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Político alemão nega declaração sobre judeus
Maquete do memorial judeu
Berlim vai ter um monumento em memória aos judeus mortos

O parlamentar alemão Martin Hohmann desmentiu comentários que teria feito em um discurso em 3 de outubro, em que teria dito que os judeus poderiam ser descritos como uma "raça de criminosos" por causa da atuação deles na Revolução Russa.

Em uma nota nesta sexta-feira, sem pedir desculpas ou se retratar, Hohmann afirmou que "não descreveria nem os judeus nem os alemães como raças de criminosos."

"Não foi nem é a minha intenção ferir os sentimentos de ninguém."

No discurso, Hohmann teria dito que muitos judeus atuaram nos esquadrões de execução revolucionários.

"Tätervolk"

Ele comparou os assassinatos na violenta revolução de 1917 na Rússia – dizendo que eles foram orquestrados por judeus – ao assassinato de judeus na Europa na Segunda Guerra Mundial.

De acordo com a transcrição do discurso, publicada no site da seção da cidade de Neuhof do Partido Democrata Cristão (CDU, ao qual o parlamentar é filiado), Hohmann afirmou que “os judeus participaram em grande número na liderança e nos pelotões de fuzilamento da Cheka (a polícia secreta soviética)."

"Por isso, poderiam ser descritos com alguma razão como Tätervolk (raça de criminosos)", disse Hohmann no discurso, que já foi tirado do ar pelo partido.

Líderes judeus e até integrantes do partido do CDU reagiram com irritação aos comentários.

Integrantes do CDU já foram acusados de anti-semitismo e de ter ligações com a extrema-direita no passado.

"Nojento"

Os comentários de Hohmann, feitos no início do mês, só vieram à tona recentemente.

O correspondente da BBC em Berlim Ray Furlong disse que Hohmann foi ainda mais longe ao defender as suas declarações em rede nacional de TV.

Furlong afirmou que o parlamentar pediu "justiça" para os alemães, e que eles não devem se definir como o país que causou Auschwitz.

O líder da comunidade judia alemã, Paul Spiegel, disse que o discurso de Hohmann foi de “um anti-semitismo nojento" e disse ter "apresentado a sua opinião" à líder da CDU, Angela Merkel.

Merkel, por sua vez, disse que os comentários de Hohmann foram "totalmente inaceitáveis e intoleráveis, e nos afastamos deles de forma absoluta".

Ela teria conversado com o parlamentar pelo telefone, mas não comentou se ele vai ser expulso do CDU.

O correspondente da BBC diz que fazer qualquer crítica aos judeus ainda é visto como tabu na Alemanha, o que torna os comentários de Hohmann muito constrangedores para o partido.

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