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Atualizado às: 30 de outubro, 2003 - 19h21 GMT (17h21 Brasília)
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Globalização vai centralizar torcedores, prevê analista

Torcedores brasileiros
Para analistas, Brasil vai continuar a abastecer mercado de craques

A globalização vai atingir em cheio o futebol, culminando na concentração das atenções entre dez e 20 times, que vão atrair boa parte dos torcedores de todo o mundo. Parece impossível, mas na visão do professor Alan Gilbert, do University College de Londres (UCL), esta é a tendência do futebol mundial.

Gilbert foi um dos participantes do seminário sobre futebol nas Américas, realizado pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Londres para discutir vários aspectos do futebol latino-americano.

O professor acredita que, no futuro, entre 20 e 30 clubes vão formar uma faixa secundária que vai ter certa expressão. O resto do cenário mundial, principalmente o latino-americano, vai continuar na posição que está: celeiro de craques para os times europeus.

Gilbert ainda possui uma visão sombria sobre o futuro do futebol: estádios mais vazios, mais amistosos e menos torneios regionais.

Transferência

Na opinião do professor, a ida maciça de jogadores de todas as partes do mundo para determinados times europeus, agregado ao marketing e as transmissões de tevê, fazem com que os torcedores acabem simpatizando com um time internacionalmente conhecido.

"As pessoas vão continuar tendo seus times locais, mas a atenção e os recursos vão estar concentrados nos clubes internacionais. Com isso, os clubes regionais vão ter mais dificuldades em chegar ao sucesso," disse Gilbert.

O professor não conseguiu prever, no entanto, se um time latino-americano vai estar neste seleto grupo, mas também não fechou as possibilidades.

"Isso vai depender dos investimentos e de como os times e jogadores vão reagir. Vai ser mais fácil, no entanto, que um torcedor brasileiro tenha como time o Real Madrid, por exemplo, com Ronaldo e Roberto Carlos. A tendência é que os torcedores prefiram os times com maior concentração de jogadores de seu país."

"Não dá para prever, no entanto, se um milionário russo (como está acontecendo com o Chelsea, da Inglaterra) vai querer investir em um Boca Juniors ou em um Flamengo, mas, na verdade, é preciso um misto de sucesso econômico e do futebol."

Negócios

Bom no futebol, mas ruim de negócios. O jornalista Gideon Rachman, da revista britânica The Economist, falou sobre o futebol latino-americano na visão empresarial, detalhando como e por que os times brasileiros e argentinos, por exemplo, formam bons jogadores, mas são péssimos em negócios.

Richman lembrou que a questão econômica sempre vai pesar no funcionamento dos clubes latino-americanos, mesmo que sejam bem administrados.

"Eles (os clubes) vão sempre enfrentar um problema, por melhor que sejam administrados, que é o fato de terem menos dinheiro do que os clubes europeus. Os melhores jogadores vão continuar indo para a Europa, porque terão melhores salários", disse o jornalista.

"Mas eles poderiam fazer coisas básicas para melhorar a forma como dirigem os clubes, como ter um sistema administrativo mais profissional como em um negócio convencional e não deixar nas mãos de dirigentes que fazem o que querem. Com isso, a corrupção, que é um grande problema, pode começar a diminuir, com as pessoas tendo uma idéia mais clara do que está acontecendo dentro dos times."

Um das soluções apontadas por Rachman para os times latinos conseguirem capital é atrair a atenção de investidores ou de um "padrinho", como aconteceu com o time inglês do Chelsea. Mas ele faz um alerta sobre este último tipo de opção.

"Os times precisam de ajuda financeira externa, sem dúvida nenhuma. Se alguém botar dinheiro no clube é uma boa opção, mas o problema é que você não sabe quanto tempo isso vai durar. Talvez seja melhor desenvolver seu próprio negócio."

Um início, segundo Rachman, seria os clubes latinos começarem a fazer melhor seu marketing interno, gerando parte da renda que precisam, apesar deste tipo de negócio não ser o que vai garantir as finanças dos clubes.

"Os clubes deveriam tomar medidas básicas como criar lojas com seus produtos com mais freqüência, uma forma direta de conseguir dinheiro. Isso não vai conseguir sanar todos os problemas, mas esse poderia ser um grande início para mudanças", finalizou o jornalista.

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