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Atualizado às: 27 de outubro, 2003 - 09h52 GMT (07h52 Brasília)
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'Lula colombiano' se encontrará com o original

O prefeito eleito de Bogotá, Luis Eduardo Garzón
'Lucho' diz ser um admirador de Lula

O prefeito eleito de Bogotá, Luis Eduardo Garzón, anunciou que vai se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva daqui a uma semana no Brasil.

Conhecido como o "Lula colombiano", o líder sindical conseguiu o que até então nenhum outro político de esquerda tinha alcançado: o segundo cargo mais importante do país, depois da Presidência da República.

A vitória de "Lucho" já é um marco na política colombiana, acostumada a ver candidatos vinculados com a esquerda serem assassinados. Representa mais uma derrota para o presidente Álvaro Uribe, que no sábado não conseguiu o apoio da população para seu referendo, e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que apostam apenas na força das armas para chegar ao poder.

Em entrevista à BBC Brasil, o prefeito eleito do Pólo Democrático Independente (PDI), confirmou que utilizará muitas das propostas do Partido dos Trabalhadores (PT) durante sua gestão. Além de adotar o programa Fome Zero na cidade, ele também vai implantar o orçamento participativo, surgido em Porto Alegre durante a administração de Tarso Genro e utilizado por várias prefeituras brasileiras.

'Estamos copiando'

"Vai ser exatamente igual ao de Porto Alegre. Estamos copiando dali. Não somos originais", disse Lucho. "Vamos descentralizar Bogotá e permitir aos bairros a possibilidade de desenvolver seus própios projetos. Eu me comprometi com meus amigos do PT e eles se comprometeram a me ajudar com assessoria nesse projeto."

Segundo o ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores da Colômbia, sua amizade com o PT e Lula é muito antiga.

"Sou lulista por princípio. Luchista e lulista. Conheci Lula há muitos anos e tenho muitos amigos no PT e na CUT do Brasil", lembrou o prefeito eleito de Bogotá, ao confessar ser um apaixonado pelo Brasil e um grande admirador de Lula.

"Agora que temos uma agenda comum, poderemos trabalhar em conjunto."

Lucho, de 52 anos, criticou a posição do presidente Álvaro Uribe de assinar um acordo de livre comércio somente com os Estados Unidos.

Como futuro prefeito de Bogotá, ele disse que gostaria de contar com o apoio dos prefeitos de Porto Alegre, São Paulo e Belém do Pará para governar.

O "Lula colombiano" defende a realização de acordos bilaterais com diferentes países do mundo.

'Ministro das Relações Exteriores'

De acordo com ele, Bogotá contará com uma espécie de "ministro das Relações Exteriores", que terá a tarefa de desenvolver projetos de comércio exterior que não estejam vinculados apenas com as diretrizes do governo central.

Em seu primeiro discurso como prefeito eleito, "Lucho" recordou importantes líderes politicos de esquerda que foram assassinados nos anos 90. Também prestou uma homenagem à ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, seqüestrada pelas Farc em fevereiro do ano passado.

Antigo líder sindical e ex-candidato à Presidência da República, "Lucho" disse que governará para "todas as camadas sociais" de Bogotá.

"Bogotá é uma cidade de todos, não de um setor exclusivo. Tenho dito que é uma cidade moderna e pretendo mantê-la assim. Mas pretendo complementá-la com um grande trabalho social", afirmou o novo prefeito da cidade, que tem 7 milhões de habitantes. "Governarei para os ricos, para os menos ricos, para o pobres e para os mais pobres."

Depois de ser confirmada sua eleição à Prefeitura de Bogotá, "Lucho" esteve reunido com o presidente Álvaro Uribe. De acordo com ele, foi um encontro para mostrar as diferenças e coincidências, sem causar rupturas.

Na próxima semana, ele pretende se reunir com o presidente Lula.

Ao falar brincando, ele disse que essa pode ser sua única oportunidade de férias em uma praia brasileira, antes de ser empossado no início de janeiro de 2004.

Segundo "Lucho", sua eleição e a de outros candidatos opositores em importantes cidades e Estados da Colômbia não representam um questionamento à popularidade do presidente Álvaro Uribe, que conta com mais de 70% de aprovação, ou a sua maneira de governar.

"As pessoas na Colômbia não querem unanimidade e autoritarismo, nem de direita, nem de esquerda", destacou. "Mas estão indicando que querem mudanças."

De acordo com ele, a vitória dos candidatos do PDI representa a "consolidação de uma corrente de esquerda democrática, que se projeta como uma séria alternativa de governo em importantes centros do país".

"Lucho" disse que esse indicativo já tinha sido dado no sábado, durante a votação do referendo popular. Depois de mais de 97% dos votos apurados, nenhuma das 15 perguntas defendidas pelo presidente tinham conseguido atingir o quórum mínimo necessário.

Segundo os resultados parciais, há possibilidade de que algumas das propostas do presidente Uribe possam ser aprovadas.

Nenhuma delas, no entanto, está entre as que o presidente considerava fundamentais, como o congelamento dos gastos públicos e dos salários dos funcionários estatais durante dois anos, além da redução do tamanho do Congresso.

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