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Ex-mordomo de Diana nega ter traído princesa ao publicar livro
O ex-mordomo da princesa Diana, Paul Burrell, negou em entrevista à BBC que seu livro A Royal Duty (Um Dever Real, em tradução livre), seja uma traição à memória da princesa, morta em um acidente de carro em 1997. O livro, que começou a ser vendido na Grã-Bretanha nesta segunda-feira, inclui trechos de cartas escritas por Diana e endereçadas a ela, assim como afirmações a respeito de seu casamento, divórcio, relacionamentos e morte. Trechos "picantes" do livro foram mencionados pelos tablóides britânicos, provocando uma chuva de críticas ao mordomo. Os filhos de Diana, os príncipes Harry e William, divulgaram uma nota em que condenam a decisão do mordomo de publicar o livro – mas Burrell acredita que os trechos do livro foram divulgados fora de contexto e disse que quer se encontrar com os príncipes. Mais um livro “Gostaria muito de ver os dois príncipes. (...) Estou muito disposto a me sentar com eles e explicar o processo de escrever esse livro e por que eu o escrevi”, disse o mordomo. Na entrevista, Burrell também não descartou a possibilidade de escrever mais um livro sobre a vida da princesa Diana. “Eu não tenho planos nesse momento de escrever outro livro, mas eu não sei que o que o futuro me reserva, sei?”, disse Burrell. Leia abaixo a entrevista com o ex-mordomo de Diana. BBC - Você entende por que os filhos da princesa se sentiram "traídos"? Paul Burrell - Eu acho que é óbvio que o príncipe William e o príncipe Harry queriam fazer uma declaração porque leram trechos do texto publicados no (jornal britânico) Daily Mirror. O que eles leram é na verdade apenas uma pequena parte do livro. Eu teria pedido a eles para esperar, ler o lívro na íntegra e ler minhas palavras em contexto, porque a história é muito diferente dessa perspectiva, revelando o que é na verdade um afetuoso tributo à mãe deles. Eu tinha esperança de que William e Harry me conhecessem. Eu espero que eu ainda seja aquela pessoa que tomou conta deles quando estavam crescendo, nos anos mais importantes de sua formação. BBC - Mas não seria precisamente porque eles conheciam você e por você ter dito no passado que nunca venderia sua história que eles se sentiram traídos? Paul Burrell - Sim, mas eu nunca pensei que escreveria esse livro. Nunca pensei que teria de sentar e esclarecer comentários errôneos e inverdades ditas por outras pessoas. Por que eles não atacaram outras pessoas que escreveram mentiras e inverdades sobre a mãe deles? BBC - Você devia saber que isso ia magoá-los... Paul Burrell - Não, se lessem a história inteira, não ficariam magoados. (O livro) é um tributo à mãe deles. BBC - Os príncipes disseram que você tirou vantagem da sua posição e que o livro deixaria horrorizada a mãe deles se ela estivesse viva hoje. Será que eles não estão em uma posição melhor para saber isso? Paul Burrell - Claro, eles são os filhos da princesa e eu nunca seria mais próximo dela do que eles. Mas William e Harry estavam fora, estudando, durante a maior parte do tempo que eu passei servindo a mãe deles. Nós éramos dois adultos vivendo em uma situação muito isolada e eu acompanhei a história. Fui testemunha de certos eventos e, pessoalmente, sinto que é apropriado esclarecer as coisas. E fazer um relato histórico do que realmente aconteceu, porque muitas coisas ditas no passado que são completamente falsas. BBC - Eles imploraram a você que parasse com as revelações. Paul Burrell - Estou perfeitamente disposto a ir a Clarence House (residência oficial dos príncipes) ou onde quer que William e Harry queiram ir, sentar face a face com eles e explicar porque escrevi esse livro. Explicar mais sobre a vida da mãe deles, contar sobre uma parte da vida dela que eles não testemunharam, porque eles estavam fora, no internato. Estou disposto a fazer isso e justificar minha história.
BBC - Quantas outras informações você tem? Paul Burrell - Quantas mais informações eu tenho? Isso é muito difícil de responder. Muitas informações na minha cabeça jamais chegarão ao público porque, como eu disse, eu sei onde está o limite. Se você ler as minhas palavras, verá que eu nunca discuti o que acontece no quarto, como outros fizeram. Eu nunca discuti relacionamentos pessoais de natureza íntima, como outros fizeram. Conheço os limites. Eu apenas citei algumas pessoas no círculo da princesa porque é apropriado para ilustrar a história, para explicar por que eu fiz (o livro). BBC - Você concorda que as revelações que você já fez são prejudiciais à família real? Paul Burrell - Eu, pessoalmente, acho que não. Por que seriam? Cartas, uma carta (endereçada à princesa, escrita pelo duque de Edimburgo, marido da rainha Elizabeth 2ª dizendo "não consigo imaginar qualquer pessoa em sã consciência deixando você por Camilla (Parker-Bowles, namorada do príncipe Charles)".Você não acha que isso é de interesse público? BBC - Mas essas são coisas íntimas, sobre um casamento que está se desfazendo. Paul Burrell - E grande parte disso já é de conhecimento do público. BBC - Qual é o propósito de você publicar tudo isso agora? Paul Burrell - É um relato preciso de uma vida que eu testemunhei e da qual fiz parte. Isso é parte da minha vida, parte do que eu vi e ouvi, não dá para ser mais real do que isso. Acho que o público britânico tem o direito de saber. (O livro) Não oferece qualquer prova real, apenas traz os pensamentos de uma pessoa em particular naquele momento. Mas é importante trazer isso para o conhecimento do público. BBC - Você acha que Diana foi morta? Paul Burrell - Eu não tenho informações para confirmar isso. Você devia estar me perguntando por que foram precisos seis anos para que nós tivéssemos um inquérito sobre a morte da princesa. Eu acho que o público britânico deveria saber. Nós deveríamos chegar a uma conclusão sobre isso e encerrar o assunto. Demorou muito até que eu decidisse trazer essas revelações para o domínio público, primeiro porque senti muito quando a princesa morreu. BBC - Não parecia ser de interesse público há seis anos, por que seria agora? Paul Burrell - Você precisa se colocar no meu lugar. Tem de se colocar lá, sentir a tristeza e o horror daquele acidente em Paris, e ver as coisas em primeira mão. Eu voltei, estava sofrendo. Fui ver a rainha e ela me alertou a respeito de "forças obscuras". Você não acha que eu estava preocupado a respeito da minha segurança e da segurança de minha família? Claro que estava. BBC - Se estava tão preocupado com si próprio, você estava preocupado também com a princesa? Paul Burrell - Claro que eu estava preocupado com ela. Estávamos ambos preocupados com a segurança dela. Em uma ocasião, fomos à sala de estar dela, levantamos o carpete, o piso de madeira e procuramos os aparelhos (de escuta, usados para espionar a princesa). Ela estava sendo alertada por ex-oficiais do MI5 (serviço secreto britânico) que vieram ao palácio dar conselhos sobre a segurança dela. Ela trocava de celular regularmente. Nós retiramos um espelho do aparador porque nos disseram que ondas eletromagnéticas poderiam ser transmitidas para dentro da sala, para ouvir conversas naquele cômodo. Claro que estavam escutando as conversas dela, claro que ela estava sendo seguida. Ela não estava paranóica – era verdade. BBC - A polícia encontrou muitos objetos dela na sua casa. Você pegou coisas do palácio de Kensington (última residência de Diana) após a morte dela? Paul Burrell - Não. Muitas coisas me foram dadas – bem, todas as coisas dela me foram dadas antes de a princesa morrer. Foram confiadas a mim, para que eu cuidasse delas. Mas eu acho que o processo no tribunal provou o fato de que eu era o guardião de certos aspectos da vida da princesa – ela me deu coisas para que eu as mantivesse em segurança. Eu dei esses objetos de volta ao príncipe William e príncipe Harry. BBC - Mas por que, você acha, ela deu esses objetos a você? Paul Burrell - Porque durante grande parte da vida dela, a princesa estava muito sozinha, ela não sabia em quem podia confiar, estava assustada sobre a própria segurança – muitos aspectos. Eu era a pessoa que estava lá 24 horas por dia, sete dias por semana. Eu estava lá a maior parte do dia. Ela tinha outros amigos – ela confiava em outras pessoas também – eu não era o único.
BBC - Você planeja um encontro com os dois príncipes? Paul Burrell - Eu gostaria muito de ver os dois príncipes. Eles se ofereceram para um encontro e eu disse "sim, por favor". Estou muito disposto a me sentar com eles e explicar o processo de escrever esse livro e por que eu o escrevi. E eu gostaria de fazer a eles algumas perguntas, também. BBC - O que você gostaria de perguntar? Paul Burrell - Acho que isso é entre eu e os dois príncipes. Mas acho que gostaria de dizer a eles algumas verdades e perguntar a eles por que – por que não me ajudaram pessoalmente quando precisei de ajuda. BBC - Muitas pessoas vão dizer, apenas ouvindo o que você está dizendo, que isso soa como uma vingança contra a família real. Paul Burrell - De maneira alguma. De maneira alguma. O objetivo desse livro é, na verdade, corrigir os mitos e inverdades e as mentiras e coisas que outras pessoas tentaram provar que são, honestamente, falsos. BBC - Fale um pouco sobre esse seu relacionamento com a princesa, que parece tão estranho, porque vocês eram incrivelmente próximos. Paul Burrell - Bem, eles tentaram provar que eu não era (...). Até a família (real) veio dizer que eu não era próximo. Viva, será que as pessoas estão começando a acreditar agora que eu tive mesmo um relacionamento único com a princesa? BBC - Você amava Diana? Paul Burrell - Amor é uma palavra difícil, ela sequer começa a se aproximar (do que eu sentia). São quatro letras que significam tanto e tantas coisas para tantas pessoas diferentes. Eu amo o Clube de Futebol Wrexham, eu amo a minha esposa, eu amo o meu cachorro. Acho que isso é parte de mim. Eu desafio qualquer homem que a tivesse conhecido a não se apaixonar por ela, mesmo que de leve. Ela era encantadora, carismática e maravilhosa e eu gostava dela imensamente. BBC - Você com certeza era obcecado por ela, não? Paul Burrell - Essa é uma palavra (na língua inglesa) que pode significar ter paixão. Sim, eu tinha paixão pelo que fazia e por como eu fazia. Eu teria feito qualquer coisa por ela. BBC - Em última instância o que você está dizendo vai ferir os príncipes, e em última instância era com eles que ela mais se preocupava. Você deve estar consciente dos danos que está causando a eles? Paul Burrell - Eu quero lembrar que tanto o príncipe (Charles) quanto a princesa (Diana), antes de os meninos estarem crescidos, falaram em rede nacional de televisão, admitiram em documentários e fizeram contribuições para livros que estão no domínio público, sobre suas vidas particulares, que também foram dolorosos para os jovens príncipes. BBC - Existe um outro livro? Paul Burrell - Se existe um outro livro? Sabe, eu nunca pensei que escreveria esse aqui. Há seis anos, pensava que meu futuro estava traçado, nunca esperei essa montanha russa. Eu não tenho planos nesse momento de escrever outro livro, mas eu não sei que o que o futuro me reserva, sei? Eu não sabia há seis anos, e não sei agora. |
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