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Grã-Bretanha garante permanência a 30 mil refugiados
Cerca de 15 mil famílias de refugiados podem receber visto de trabalho e residência na Grã-Bretanha, na maior anistia do tipo já realizada no país. O ministro do Interior britânico, David Blunkett, disse que a maioria dos beneficiados pela medida – cerca de 30 mil, entre adultos e menores – estão no momento vivendo dos benefícios concedidos pelo governo. Garantir visto para que esses refugiados trabalhem no país é uma forma dar um alívio para o bolso do contribuinte, afirma Blunkett. Dados oficiais dão conta de que o dinheiro público está sustentando atualmente 12 mil famílias que entraram com o pedido de asilo antes de outubro de 2000. Críticas e elogios "Essa é uma decisão difícil, mas não acredito que seja melhor usar o dinheiro do contribuinte para pagar os longos e caros processos na Justiça", afirmou o ministro do Interior. Blunkett disse que as famílias envolvidas – de Kosovo, da ex-Iugoslávia e da Turquia – haviam pedido asilo na Grã-Bretanha há mais de três anos. Mas o representante para políticas internas do partido Conservador – o maior de oposição ao governo –, Oliver Letwin, disse que a decisão pode significar mensagem equivocada, deixando a população "apavorada". "Quinze mil pessoas que não tiveram seus pedidos aceitos agora vão receber vistos para ficar indefinidamente, enquanto o sistema permanece no caos total. Isso é um erro", afirmou Letwin. Mark Oaten, representante do Partido Liberal Democrata, o terceiro maior da Grã-Bretanha, elogiou a decisão, mas afirma que "o ministério do Interior nunca deveria ter permitido que esse acúmulo ocorresse". Ocasião única O anúncio é feito antes das etapas finais de uma campanha do governo para 'chacoalhar' o sistema de concessão de asilo. O governo afirma que as reformas – que acabarão com toda a assistência dada às famílias que não receberem vistos – farão com que o sistema não fique sujeito a abusos e atrasos. Refugiados que o governo considera "casos difíceis" só receberão algum tipo de ajuda se concordarem com o processo de remoção, uma vez que a volta ao país de origem se torne possível. "Quero reafirmar nossa intenção de aumentar cada vez mais a proporção de remoção dos refugiados cujos casos não foram aceitos", afirmou o ministro do Interior. Blunkett acrescentou que essa será a única vez em que essa espécie de anistia será concedida e que a medida acabará com a incerteza vivida por muitas famílias. Economia O ministério do Interior britânico afirma que retirar cerca de mil famílias do sistema de benefícios representará uma "economia de 15 milhões libras" (cerca de R$ 73 milhões). Aproximadamente 3 mil famílias que se sustentam sozinhas também podem passar a ter o direito de permanecer no país. A decisão de acabar com os benefícios dados aos que não tiveram o pedido de asilo aceito tem o objetivo de acabar com o "incentivo" atualmente existente a pessoas que evitam a remoção do país a qualquer custo. A iniciativa de retirar o benefício dessas famílias teve o apoio da oposição. Já as organizações de defesa dos refugiados consideraram "de bom senso" a iniciativa de dar anistia a pessoas que já estão no país, mas consideraram "dura" a decisão de retirar os benefícios às famílias. |
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