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Falta de pesquisadores dificulta censo no Brasil
A falta de pesquisadores e de investimentos faz com que o Brasil tenha poucas informações sobre a vida marinha que existe no litoral do país, diz a coordenadora do Censo da Vida Marinha no Brasil, a bióloga Erminda Guerreiro. O Brasil possui entre 8,1 mil e 8,2 mil espécies marinhas catalogadas, número muito baixo pelas contas de Erminda. Para a bióloga, isso deverá atrasar a parte do censo geral dos oceanos que concerne ao Brasil – o censo global prevê que em sete anos seja concluído um banco de dados mundial sobre todas as espécies marinhas. “Com o nível de desconhecimento existente hoje em dia (no Brasil), chegou-se à conclusão de que em 2010 teremos uma melhor visão da situação, um despertar, mas ainda estaremos muito longe de completar o trabalho.” Mão-de-obra A grande dificuldade no Brasil é a falta de mão-de-obra especializada. De acordo com a bióloga, desde a década de 70 vem ocorrendo um desinteresse na profissão de pesquisador marinho, agravado ainda pela falta de investimentos em publicações especializadas no assunto. "Hoje existem muitos grupos de organismos marinhos onde você não encontra ninguém trabalhando com ele. Esse problema no Brasil é grave", diz Erminda Guerreiro. A queda no número de pesquisadores é um problema não só no Brasil, mas no resto do mundo, de acordo com os levantamentos feitos pelo Censo da Vida Marinha. "Houve uma queda na quantidade de pesquisadores em âmbito mundial", diz ela, que observa que a situação no Brasil está entra as mais difíceis. Outro problema no Brasil é a falta de locais especializados para a estocagem das espécies encontradas. “O Brasil praticamente não tem museus (para a área marinha) e fica difícil encontrar material de referência para pesquisas”, afirma a bióloga. “Precisamos manter os poucos locais que temos e criar outros museus para o armazenamento do material encontrado, com profissionais especializados cuidando do acervo.” Pesquisadores Segundo Erminda Guerreiro, para alguns grupos marinhos existem apenas três pesquisadores atuando na costa brasileira. Para piorar a situação, normalmente, os pesquisadores trabalham concentrados na região sudeste e sul do país. Segundo dados levantados pela bióloga, existem 590 pesquisadores para a área no Brasil. A maior parte, porém, não está atuando diretamente em pesquisas. Por isso, uma das metas paralelas do trabalho promovido pelo censo é formar novos profissionais e criar intercâmbio entre países latino-americanos. "Talvez o Brasil tenha entre cem e 150 pesquisadores (efetivamente atuando em pesquisa marinha), o que é um número muito pequeno", disse a bióloga. Os primeiros passos do censo brasileiro começaram a ser traçados em abril do ano passado, durante um encontro que contou com a participação de cerca de 20 profissionais. A partir do material coletado durante os três dias de encontro, foi elaborado um livro que está em fase de finalização e mostra o que se conhece da biodiversidade brasileira atualmente. |
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