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Atualizado às: 23 de outubro, 2003 - 13h02 GMT (11h02 Brasília)
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Britânico compra 900 pacotes de biscoito para ir no Concorde
Justin Cornell
Justin, na cabine do piloto do Concorde

Justin Cornell gosta de biscoito, mas gosta mais ainda de viajar de Concorde, tanto que ele comprou 900 pacotes de biscoito, gastando o equivalente a quase R$ 4 mil para acumular milhas aéreas suficientes para garantir uma poltrona num dos vôos do supersônico.

O Concorde se prepara para ser apenas uma memória, pois encerra suas atividades definitivamente nesta semana, depois de 26 anos em operação.

Cornell aproveitou uma promoção especial do supermercado de seu bairro, que dava pontos aos consumidores mais fiéis, que poderiam ser convertidos em milhas aéreas.

"Por quase nada eu pude realizar um dos meus maiores sonhos", disse Cornell. Hoje, apenas uma passagem de ida nesses últimos vôos do Concorde custa mais de R$ 20 mil.

Peso

Mas o sonho de voar de supersônico de Londres para Nova York não veio tão fácil. Cornell, um bancário de 32 anos, pesava mais de 130 quilos, algo nada recomendável para as poltronas estreitas do Concorde.

O embarque do jovem britânico foi traumático. Tanto que ele resolveu entrar numa dieta rigorosa no minuto em que voltou para casa. O entusiasta do Concorde perdeu cerca de 60 quilos.

Avião vazio

Justin Cornell disse que ficou angustiado às vésperas do embarque tão ansiado. Ele achou que não caberia em uma poltrona e não tinha dinheiro para pagar por uma segunda.

A sorte de Cornell é que, como esse era um dos primeiros vôos depois da volta do Concorde a operações, interrompidas depois do desastre de julho de 2000, havia pouca gente a bordo.

A experiência fez com que o britânico de Portsmouth percebesse que precisava perder peso.

"Eu era extremamente obeso. Eu nunca tive o costume de fazer exercício nenhum. Costumava ir e vir do trabalho de táxi e vivia comendo pratos prontos de restaurantes indianos e chineses", disse Cornell.

Ele acabou vendendo as centenas de pacotes de biscoitos que comprou e doou o equivalente a mais de R$ 7 mil para organizações assistenciais.

"Agora eu me sinto uma pessoa completamente diferente", disse Cornell, muito mais magro. "Pode-se praticamente dizer que o Concorde salvou a minha vida."

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