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Impasse paralisa processo de paz na Irlanda do Norte
O processo de paz na Irlanda do Norte voltou a ser paralisado no dia em que era esperado um acordo histórico entre republicanos – em sua maioria católicos que defendem a integração com a Irlanda – e unionistas – grupo formado majoritariamente por protestantes que defendem a manutenção da região como uma província do Reino Unido. Menos de uma hora antes do horário marcado para o anúncio do acordo, os unionistas abandonaram as discussões, alegando falta de transparência no processo de deposição de armas do IRA, sigla em inglês do grupo armado Exército Republicano Irlandês. O líder do Partido Unionista do Ulster e ex-presidente da Assembléia da Irlanda do Norte, David Trimble, disse que o processo foi suspenso porque "infelizmente não houve a transparência necessária. Provavelmente, temos menos confiança no processo agora do que tínhamos" no início do dia. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que ainda tem esperança de que o impasse entre unionistas e republicanos na Irlanda do Norte seja resolvido e pediu mais tempo, pois a região estaria muito próxima de "um dia histórico". Em um breve pronunciamento conjunto com o primeiro-ministro da Irlanda, Bertie Ahern, Blair afirmou que houve uma "pequena falha" no processo, enquanto Ahern disse que eles estão determinados a superar o impasse. Reviravolta As novidades do processo de paz começaram na manhã desta terça-feira. Às 7h10 (4h10, horário de Brasília) o governo britânico anunciou a convocação de eleições para a Assembléia da Irlanda do Norte, que devem ser realizadas em 26 de novembro. Às 10h30, Gerry Adams, líder do Sinn Féin, o maior partido republicano da Irlanda do Norte, pediu apoio completo às negociações. Às 12h15, sempre no horário local, o IRA anunciou que estava prestes a fazer uma nova entrega de armas. Duas horas depois, o grupo anunciou que a deposição havia sido realizada. Às 16h, o chefe da Comissão Internacional de Deposição de Armas, o general canadense John de Castelain, anunciou a confirmação da entrega de armamentos. Às 17h20, o unionista Trimble fez o pronunciamento em que pediu mais transparência. Às 18h20, Blair e Ahern dizem que o processo teve uma pequena falha e menos de uma hora depois, Gerry Adams faz um breve pronunciamento e afirma que não sabe como o processo pode ser retomado, "quando um dos participantes rompe unilateralmente". Desarmamento "A comissão testemunhou a terceira oportunidade na qual armas do IRA foram entregues de acordo com as regras do governo", disse o general de Chastelain, chefe dos observadores internacionais. "Entre os armamentos estão armas automáticas, munições, explosivos e materiais explosivos", declarou o general. "A quantidade de armas foi consideravelmente maior do que na entrega anterior", ressaltou o canadense. "O material poderia causar morte e destruição em grande escala se fosse utilizado", acrescentou. O acordo que estava para ser anunciado nesta terça-feira previa a volta do poder compartilhado entre unionistas e republicanos na Irlanda do Norte e, pela primeira vez, colocaria a segurança pública sob responsabilidade da administração local. República A divisão da ilha da Irlanda em duas partes data de 1921. Após dois anos de revolta contra o domínio britânico, dois representantes dos rebeldes irlandeses conseguiram um acordo de paz com a Grã-Bretanha. Para conseguir a república, no entanto, os negociadores Michael Collins e Eamon de Valera abriram mão de reivindicar o direito a seis condados, de maioria protestante, no norte da ilha. A maior parte da Irlanda, no sul, tornou-se uma república independente, enquanto o norte ficou sob a soberania britânica. Muitos revoltosos consideraram o acordo uma traição e Collins foi assassinado poucos meses depois. |
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