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Atualizado às: 15 de outubro, 2003 - 17h20 GMT (14h20 Brasília)
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Eleição nos EUA faz a política do Oriente Médio, diz árabe

Manifestantes islâmicos xiitas protestam nas ruas de Bagdá
Manifestantes islâmicos xiitas protestam nas ruas de Bagdá

O embaixador da Liga Árabe em Londres, Ali Muhsen Hamid, acredita que o futuro do Iraque e dos territórios palestinos será determinado não por árabes ou israelenses, mas sim pelos eleitores americanos.

O iemenita Hamid afirma que fatores eleitorais explicam o veto americano no Conselho de Segurnaça da ONU à resolução condenando a construção do polêmico muro que está sendo erguido por Israel no Oriente Médio.

"Os EUA sempre apóiam Israel na ONU porque contam com o voto do eleitorado judeu. Qualquer político americano que quer vencer eleições precisa seguir todas as políticas israelenses, sejam elas quais forem. Oferecem mais e mais concessões a Israel para ser eleitos e reeleitos", diz Hamid.

Mas o embaixador crê que a presença diplomática americana na região é crucial para pressionar Israel a respeitar as determinações da ONU.

Condenação

Por isso, afirma, a Liga Árabe e representantes do mundo palestino condenam atentados como o que matou três americanos na Faixa de Gaza nesta quarta-feira.

"Ainda não se sabe quem cometeu o atentado. Mas tanto nós como o primeiro-ministro palestino o condenamos. Mas tais atos de violência são o resultado da ocupação israelense", comenta.

Ainda que defenda a persença diplomática americana nos territórios palestinos, Hamid sustenta que os EUA devem se retirar do Iraque.

O embaixador acredita que a retirada americana acabará ocorrendo devido à pressão da própria opinião pública americana.

"O povo dos Estados Unidos está se cansando da perda diária de vidas americanas. Por isso, creio que eles não darão continuidade à presença militar."

Hamid acredita que a votação sobre uma versão revisada da resolução sobre o Iraque, que os EUA apresentarão nesta quarta-feira no Conselho de Segurança da ONU, pode ser um primeiro passo para o país romper o isolamento em que se encontra desde a Guerra no Iraque e se reaproximar do mundo árabe.

"Pedimos que os EUA cedam mais poder aos iraquianos, que busquem o apoio da ONU e ponham fim à ocupação o quanto antes, visto que ninguém mais os está apoiando. Os americanos, que já foram ocupados pelos britânicos, deveriam ter advinhado que os iraquianos iriam resistir à ocupação."

Veto americano

Quanto ao veto americano à resolução condenando Israel, o embaixador diz que a medida vai contra a própria história dos Estados Unidos.

"Os Estados Unidos foram uma colônia, que lutou pela independência e pela liberdade e agora estão lutando contra a liberdade e a independência palestina", comenta.

O embaixador acredita que se os americanos pusessem fim ao que entende como "apoio incondicional à política israelense", Israel se tornaria "um bom vizinho, que viveria em paz com o mundo árabe", diz Hamid.

"Se a ocupação terminasse, poderíamos retomar plenas relações diplomáticas com Israel, restabelecer o comércio com o país, abrir embaixadas e escritórios de turismo. ", prevê Hamid.

O embaixador sustenta que a política americana em relação ao Iraque e aos territórios palestinos está aumentando o ressentimento do mundo árabe.

"Eles precisam se lembar que tanto os iraquianos como os palestinos estão vivendo sob ocupação, o que faz com que sejam povos cada vez mais ligados."

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