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Para analista, EUA têm que marcar fim da ocupação
Os Estados Unidos precisam incluir no esboço de resolução alguma indicação sobre quanto tempo mais as forças americanas ainda se manterão no Iraque, diz o professor Michael Clarke, do Centro para Estudos de Defesa do Kings College, em Londres. Para ele, o fato de Washington ainda não ter apresentado um prazo claro na proposta apresentada nesta terça-feira ao Conselho de Segurança da ONU faz com que as negociações continuem difíceis. Além disso, Michael Clarke afirma que a falta de concessões importantes por parte dos Estados Unidos cria um impasse em relação ao andamento do processo de reconstrução. "Enquanto os americanos não fortalecerem de fato o papel da ONU e dividirem o poder com outros países, a participação de doadores e investidores estrangeiros pode demorar a se concretizar", diz Clarke. O que acontece, explica Clarke, é um processo de desconfiança mútua. Os Estados Unidos desconfiam que são os únicos a ter competência para controlar a reestruturação do Iraque e a comunidade internacional não quer dar carta branca aos Estados Unidos ao aprovar uma resolução que mantém os americanos no controle da administração do Iraque. Como novidade, o texto apresentado estabelece que o Conselho de Governo do Iraque, indicado pelos Estados Unidos, tem até 15 de dezembro para apresentar um cronograma para a criação de uma nova Constituição e para a realização de eleições. Para o professor Kamil Mahdi, do Centro para Estudos sobre o Golfo Pérsico, da Universidade de Exeter, na Grã-Bretanha, o problema central é que Washington não quer dividir o poder decisório sobre o futuro do Iraque com outros países. Ele lembra que enquanto a resolução americana não é aprovada pelo Conselho de Segurança, várias decisões importantes, que afetam a vida dos iraquianos, estão sendo tomadas, sem que os interessados sejam ouvidos. "Muitas decisões importantes estão sendo tomadas sem que tenha havido qualquer contribuição por parte dos iraquianos ou mesmo das Nações Unidas", observa Mahdi. Desta forma, diz ele, é compreensível que a comunidade internacional não se sinta segura em endossar um projeto que não percebe como seu, afirma Mahdi. "A pergunta principal que deve ser feita é o futuro que os iraquianos querem, não o que os Estados Unidos pensam para o futuro do Iraque. Para eles, primeiro o problema era Saddam Hussein, agora o terrorismo", diz o pesquisador, ao considerar que a visão americana sobre o Iraque sempre assume uma perspectiva "estrangeira". |
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