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Kaká responde a perguntas dos internautas
O meia Kaká, do Milan, respondeu a perguntas de internautas feitas através da página da BBC Brasil. A redação recebeu centenas de perguntas e 25 foram selecionadas, com temas como a saída de Kaká do São Paulo, a Seleção Brasileira, a vida do jogador na Europa e os seus planos para o futuro. Abaixo, as respostas do jogador na entrevista exclusiva à BBC Brasil, realizada na concentração da Seleção, em Leicestershire, no centro da Inglaterra. Kaká agradeceu às mensagens carinhosas e se disse impressionado com a quantidade de perguntas recebidas. Você não acha que é muita responsabilidade substituir Ronaldinho Gaúcho na Seleção? (Bruno Ezequiel Damasio, Buenos Aires, Argentina) Kaká - É muita responsabilidade. Por tudo que Ronaldinho fez na Copa do Mundo, sendo titular o tempo inteiro. Então, é uma responsabilidade muito grande. Mas a Seleção é sempre uma grande responsabilidade. Todos esses jogadores que vão passando e vão voltando, por exemplo. Para Rivaldo chegar, ou para o Ronaldo chegar à Seleção, eles tiveram a responsabilidade de continuar o trabalho de outros que passaram antes, como Zico, Pelé, Tostão. Tantos outros jogadores que passaram pela Seleção. Sempre há essa responsabilidade. Mas é bom, é gostoso ter responsabilidade cedo. Você está recebendo esse momento de honra em sua vida como uma glória de Deus? (Ezequiel B. Machado, São Paulo capital) Kaká - Eu recebo mesmo como uma bênção de Deus tudo que está acontecendo de bom na minha vida e eu tenho que agradecer e aproveitar o bom momento. Como você vê essa oportunidade de estar com a Seleção e qual é a sua expectativa para o jogo de domingo? (Teresa Cristina M. Alvez, São Paulo capital) Kaká – É muito bom esta na Seleção, sempre. Ser convocado, fazer parte de um grupo tão importante de jogadores, é sempre uma experiência muito grande, de nível mundial. E esse jogo vai ser importante porque serve para integrar a equipe para os próximos jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo. Na sua opinião, jogar na Itália é mais difícil do que em outros países da Europa, tendo visto que outros jogadores tiveram dificuldades em se adaptar ao futebol italiano? (Elias, São Paulo capital) Kaká - Não sei, não tive oportunidade de jogar em outros clubes, ainda. Mas o futebol italiano é diferente do futebol brasileiro. Taticamente, tem que se ter uma obediência maior, mas está sendo uma grande experiência para mim. O que você considera o ponto alto de sua carreira? O Penta ou o contrato com o Milan? (Samantha, de São Paulo) Kaká - Eu acho que no ponto alto eu ainda não cheguei. Eu estou crescendo ainda, conquistando muitas coisas na minha carreira. Claro que a Seleção e o pentacampeonato são importantes e são várias coisas que estão me levando para o topo da minha carreira. Espero alcançar a maturidade com uns 26 e 27 anos, quando eu acho que será o ponto alto da minha carreira. Qual é a diferença entre o Kaká do São Paulo e o Kaká do Milan? (Samantha, São Paulo) Kaká - A diferença, eu acho, é a experiência. Agora estou mais maduro com tudo que aprendi no São Paulo. Como você vê a difícil situação do São Paulo no momento? Você pode chegar a uma conclusão de que foi uma boa você deixar o tricolor paulista? (Claúdio Luiz Antoniolli, Santa Cruz do Rio Pardo, SP) Kaká - Olha eu acho foi bom, não pela situação que vive o São Paulo, mas pelo meu crescimento pessoal, profissional e cultural. Foi super importante. Ter a chance de vir para a Europa, chegar a um clube importante como o Milan. Sobre o clube, fico triste porque tenho muitos amigos no São Paulo. Fico chateado com essa situação e espero que o time reverta essa situação e consiga a classificação para a Taça Libertadores. Qual é a sua pior e a sua melhor impressão da Itália até agora? (Kelly Jones, Rieti, Itália) Kaká - Não tive pior impressão ainda. Tudo está sendo uma descoberta muito grande, muito legal. A alimentação é maravilhosa, o país é muito legal. A cidade de Milão me acolheu muito bem, todo mundo conversa, quer saber, tudo é uma descoberta. Durante o período que ficou na França, o Raí aproveitou para cursar uma faculdade de História. Você pensa em fazer o mesmo? Qual curso? (Ricardo Piza Di Giovanni, Campinas, SP) Kaká - Não sei ainda. Agora não penso em estudar, está corrido e não gostaria de fazer as coisas pela metade. Se eu começasse agora, com certeza faria pela metade, pelo número de viagens e das concentrações que têm os jogadores. Por isso, agora não penso nisso. Você tem algum planejamento em onde investir o dinheiro que virá a ganhar? Pensa em patrocinar algum projeto social? (Ricardo, de São Paulo) Kaká - Projetos sociais sempre tem. Estou ajudando de várias formas. Sobre o dinheiro, penso direitinho, converso com o meu pai para tentar investir o dinheiro da melhor maneira. Sobre a volta ao Brasil, quando será esse dia de voltar para o São Paulo? (Tadeu Kameda, São Paulo) Kaká - Não sei. Sinceramente, não sei. Estou chegando agora na Europa e pretendo ficar muito tempo por aqui, aprender muita coisa, aprender outras línguas, outras culturas. Acho que demora um pouquinho essa volta para o Brasil. Tecnicamente, somos melhores do que os europeus ou a diferença é apenas de organização? Sendo assim, algum time brasileiro tem real condição de enfrentar e ganhar do Milan? (Marcelo Ramos da Costa, Brasília, DF) Kaká - Em termos de estrutura acho muito dificil. O Milan tem uma estrutura fantástica, maravilhosa, tudo que você precisa você tem de imediato, é um clube de primeira linha mesmo. Eu acho que é difícil hoje encontrar estrutura como essa no Brasil. Em termos de futebol, ninguém sabe como vai ser o andamento de uma partida. Como está sendo sua adaptação a essa nova vida que você está levando, morando em um outro país? (Constantino Santos, São Paulo capital) Kaká - Claro, saudade sempre sente, mas a realização de um sonho é sempre maior. Puxa, eu estou realizando meu sonho e então vale à pena jogar por ele. E, com certeza, os que estão no Brasil estão felizes com isso também. E depois, quando acertarem tudo, alguns virão para a Europa, para morar junto. Está sendo tudo bom. Fui recebido muito bem no time. Esta sendo tudo ótimo. O futebol italiano é um futebol mais duro, mais pesado do que o brasileiro. No Brasil, o Kaká muitas vezes se irritava e acabava por revidar as faltas duras recebidas. Como acha que ele vai se sair no futebol italiano neste aspecto? (Éder Magalhães, Chapecó, SC) Kaká - Foi bom esse período no Brasil. Esse aprendizado de ser marcado duro me ensinou muito. Estou sendo mais respeitado. Hoje em dia, não vou com maldade, mas vou mais duro. Como é que você vê sua carreira daqui a três anos? E durante a próxima Copa do Mundo na Alemanha, você acredita que já será titular da Seleção principal? (Bruno Carvalho, de Brasília) Kaká - Não sei, três anos é muito tempo ainda. Tem esse plano de estar na Seleção, estar na Copa de 2006. Também de estar nas Olimpíadas no ano que vem, tentar um título, seria uma boa. Tudo isso precisa ser bem planejado, principalmente com trabalho, para continuar me mantendo na Seleção. Na Copa de 2002 eu estava no banco e foi muito bom para mim. E eu quero estar em 2006. Qual é a diferença entre o futebol brasileiro e o italiano? Você acha que a cobrança da torcida e da imprensa é maior no Brasil? (Otávio Galani Júnior, de Brasília) Kaka - Em termos de cobrança de imprensa e torcedor, está no mesmo nível. Sempre tem. No Brasil , os clubes que não estão ganhando sempre sofrem essa cobrança. Não só o São Paulo. Tem outros clubes que não estão rendendo e a cobrança aumenta e a responsabilidade dos jogadores, também. Hoje no Brasil é mais vantagem jogar fora de casa do que dentro de casa, e isso não acontece na Itália. A maioria que joga em casa tem sempre os pontos certos. Kaká, devido ao seu sucesso com as meninas, algumas já foram capazes de dar cantadas agressivas? (Edson, de Natal, RN) Kaka Sempre tem as atrevidas, principalmente no Brasil porque na Italia não tem esse assédio ainda. Mas no Brasil tem e, às vezes, quando cria tumulto sobra mão para tudo que é lado, mas nada que eu fale que tenha sido desagradável. (risos) Você acha que voltaria para o São Paulo após alguns anos de Europa? Você pensa nisso? (Breno Oliveira, de Uberlândia, MG) Kaká Como eu falei quando saí do São Paulo, eu gostaria de voltar um dia. Mas não em um futuro tão próximo. Deixa mais para frente ainda. Deixa eu curtir a Europa um pouco. Kaká você como Atleta de Cristo, que procura sempre manter-se irrepreensível com sua postura e crença, como fará morando sozinho caso a sua namorada vá lhe visitar na Itália? Sabe que se isto vier a tona será bombardeado, com muitos comentários entre os fiéis, onde essa imagem é valorizada...(Marcelo Silvestre) Kaká- Não tenho problema nenhum com isso até porque eu não dou margem para invasão da minha privacidade e da minha vida particular. Eu cuido realmente disso. E como já falei, é a minha vida particular. Não deixo que invadam. Vão saber que eu estou namorando, eu estou mesmo. Minha namorada está no Brasil, por enquanto, depois eu acho que ela vai se mudar também, mas não agora porque está estudando. Por enquanto, fico no hotel, lendo a bíblia, orando sozinho. Esse momento também é muito legal, o meu contato com Deus. Você está adaptado à Europa? Qual é a maior dificuldade para você? (Rogério Henrique Garofalo, de Campinas) Kaká - Não tive dificuldades até agora. Está tudo bem, tudo legal. Estou descobrindo uma língua nova, uma comida diferente e está tudo sendo legal. Você pode mandar uma palavra de força para a equipe do São Paulo? (Miguel Dacs, de São Paulo) Kaká- Eu tenho muitos amigos no São Paulo e torço, sempre entro na internet para saber dos resultados e os últimos não foram dos melhores. Mas sempre procuro conversar com eles, dar uma motivação para que eles se voltem para a Libertadores. BBC Brasil - Muitos torcedores pediram para você dizer se tem um e-mail, um telefone de contato, porque eles estão com dificuldades de acessar seu site. Kaká Eu não tenho site oficial ainda – chegou a sair no Brasil que eu estava lançando um site, mas ainda não. Por enquanto, não existe uma forma direta de conversar comigo. Até agora é só com carta, aí recebo em mãoes. Você como evangélico não fica meio isolado na Itália, berço do catolicismo? Você freqüenta alguma igreja em Milão? Ou só quando vier ao Brasil? (Nilson Gonçalves de Brito, de São Paulo) Kaká Por enquanto não. Fiquei sabendo que os brasileiros freqüentam uma igreja em Milão, mas até agora eu não fui. Os cultos são aos domingos e todos os domingos eu estou jogando. Por enquanto, eu fico no meu quarto, fico lendo a bíblia e fazendo meus estudos pela internet, sempre orando no meu quarto. Gostaria de saber se, guardada as devidas proporções financeiras, a estrutura do Milan é muito diferente da do São Paulo, que é uma das equipes mais elogiadas do Brasil. Como é o trabalho nas equipes de base, nas salas de fisioterapia, no apoio ao atleta ...(Carlos Rogério Grattao, de Bauru, SP) Kaká - Olha, realmente é diferente, principalmente em termos financeiros. No Milan, você chega lá e o número de patrocinadores que tem o Milan é impressionante. No Brasil, não tem tanto incentivo assim. As categorias de base não têm tanta coisa também. Nem tem tanta imprensa, nem tanta seriedade. E acabam saindo algumas coisas erradas. Então, mais seriedade e profissionalismo nas categorias seria uma boa, até porque as principais fontes têm sido os jogadores formados nos clubes. Em que grau acha que o São Paulo lhe foi útil, a ponto de revelar um jogador talentoso feito você, que de um momento para o outro merece a confiança para estar na Seleção Brasileira? (Sérgio, de Maputo, Moçambique) Kaká- O São Paulo foi importantíssimo na minha carreira. Foi o clube que me formou – cheguei com 8 anos e sai com 21 – e me deu uma estrutura muito boa, uma base muito legal. Eu sou grato ao São Paulo, sou grato mesmo. |
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