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Atualizado às: 04 de outubro, 2003 - 03h21 GMT (00h21 Brasília)
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ONU condiciona ação no Iraque à mudança dos EUA
Colin Powell
Powell diz que sugestões ao texto são bem-vindas

Um funcionário da ONU (Organização das Nações Unidas) afirmou que a organização não terá nenhum papel no futuro político do Iraque se os Estados Unidos não reverem os seus planos para o país.

Em uma entrevista à imprensa, um funcionário importante da organização, cujo nome não foi revelado, disse que o governo americano terá de realizar uma revisão radical do mais recente esboço de resolução apresentado ao Conselho de Segurança.

Os comentários se seguem a críticas pouco comuns expressadas pelo secretário-geral, Kofi Annan.

Annan teria deixado claro, em um almoço com os 15 embaixadores do Conselho de Segurança, que a ONU não está pronta para colocar os seus funcionários em risco para ter um papel tão limitado como o proposto pelos Estados Unidos, segundo o funcionário.

O correspondente da BBC na ONU, Greg Barrow, disse que são raras as ocasiões em que a ONU expressa uma oposição tão clara aos planos apresentados por um de seus membros, especialmente ao mais poderoso deles.

Mas Barrow afirma que o nível de preocupação com o que está acontecendo no Iraque é tão alto que Annan e seus funcionários parecem ter decidido que está na hora de falar francamente.

O secretário-geral acredita, segundo informações do funcionário da ONU, que a proposta dos Estados Unidos iria expor os funcionários da organização em Bagdá a um risco ainda maior depois do atentado que matou 23 pessoas.

Programas diferentes

Respondendo às críticas, o secretário de Estado americano, Colin Powell, telefonou para Annan para lhe garantir que os Estados Unidos querem um papel mais forte para a ONU no Iraque, ainda segundo informações do funcionário da organização.

Powell disse aos repórteres em Washington: "Nós estamos ansiosos para receber sugestões que possam melhorar a nossa proposta".

Mas analistas afirmam que os Estados Unidos parecem estar cada vez mais isolados e que os comentários de Annan parecem ter exacerbado ainda mais as dúvidas de alguns membros do Conselho de Segurança.

O esboço de resolução – que deverá ser discutido pelo Conselho na semana que vem – pede para que a transição política seja a mais rápida possível e apela para que os outros estados-membros contribuam com soldados para uma força militar multinacional.

Mas o especialista da BBC para assuntos diplomáticos Barnaby Mason afirma que o texto apresentado pelos Estados Unidos não especifica como o papel da ONU pode ser maior, enquanto que algumas cláusulas deixam a entender que as forças lideradas pelos Estados Unidos continuariam a ter um papel predominante.

Democracia

Um dos pontos mais controversos é em relação a um programa para o retorno do país à democracia.

Os Estados Unidos querem que uma nova constituição iraquiana seja elaborada primeiro e, depois, as eleições sejam realizadas. A ONU afirma que seria melhor estabelecer um governo transitório, restaurando a democracia, e, depois, realizar eleições.

A França disse que o novo texto não incorpora as mudanças que o país e a Alemanha haviam sugerido para um outro esboço apresentado anteriormente.

"A nossa primeira impressão é de que as nossas preocupações não estão refletidas no novo texto apresentado pelos Estados Unidos, a não ser em um modo bem limitado", disse o porta-voz do ministério do Exterior francês, Herve Ladsous.

O presidente russo, Vladimir Putin, também criticou a proposta, dizendo "não estar satisfeito" com ela.

Os Estados Unidos afirmam que querem aprovar uma resolução antes que uma conferência para levantar dinheiro para ajudar na reconstrução do Iraque seja realizada no fim deste mês.

O Conselho de Segurança deverá se reunir novamente na segunda-feira.

A França afirmou, no entanto, que, apesar de suas preocupações, não irá vetar uma resolução quando ela for apresentada.

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