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Atualizado às: 03 de outubro, 2003 - 15h03 GMT (12h03 Brasília)
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Somália ainda enfrenta resquício do fracasso dos EUA

Cena do filme 'Falcão Negro em Perigo'
O diretor Ridley Scott transformou o episódio somáli em filme de ação

Há dez anos, no dia 3 de agosto de 1993, a Somália foi manchete em todo o mundo quando soldados dos Estados Unidos morreram em uma tentativa frustrada de capturar um dos líderes milicianos da capital, Mogadishu.

O episódio foi transformado no filme de ação Falcão Negro em Perigo, de Ridley Scott.

As tropas americanas integravam a força de 50 mil homens da operação Restauração da Esperança, da ONU, que recuou em 1995, selando o fracasso da missão.

Hoje, a Somália ainda não tem um governo central de fato e vem sendo citada como um possível refúgio para militantes da rede Al-Qaeda, fugidos do Afeganistão.

Milícias rivais

Em 1993, o país estava sob o comando de milícias rivais que lutavam pelo poder, depois de terem derrubado o presidente Muhammad Siad Barre, e a população estava à míngua.

O então secretário-geral da ONU, Boutros Boutros Ghali, anunciou uma operação no país. No entanto, no dia 24 de junho, soldados da ONU paquistaneses foram emboscados e mortos por milicianos armados.

No ambiente cada vez mais hostil do país, as tropas estrangeiras se encontravam em uma situação de difícil controle, e o número de mortos, especialmente civis, estava crescendo.

As condições ficaram ainda piores, e os americanos, que formavam o grosso das tropas da ONU, identificaram Mohamed Farah Aideed como o principal problema.

Teriam sido homens sob seu comando que assassinaram os soldados paquistaneses, e ele estaria se recusando a ceder o controle e interromper a batalha.

Seguindo as informações de sua inteligência, as forças americanas decidiram atacar um hotel em Mogadishu em que Aideed participaria de uma reunião.

A operação foi um desastre: não apenas fracassou na captura do líder guerrilheiro, como provocou a morte de 18 americanos e centenas de somális.

Adeus

Cinco meses depois do episódio, os americanos abandonaram a Somália.

Hoje, em grande parte em conseqüência da guerra civil dos anos 90, o país está dividido em regiões sob o controle de vários líderes guerrilheiros.

Em cada região, segundo Yusuf Garrad Omar, editor do serviço somáli da BBC, o nível de organização civil é diferente, bem como o acesso aos serviços básicos.

Dan Simpson, embaixador dos Estados Unidos na Somália em meados da década de 80, afirma que "qualquer lugar em que não há governo é potencialmente um celeiro para o terrorismo, por isso existem preocupações com a Somália".

Depois dos ataques a bomba das embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia em 1998, atribuídas à Al-Qaeda, especialistas do governo americano passaram a se interessar mais por toda a África, e principalmente pela Somália.

Relatórios de inteligência afirmam que Osama Bin Laden teria estado no país várias vezes na década de 90 e enviado guerreiros para participar da guerra civil somáli.

Novo refúgio

Em troca disso, ele teria ganhado a permissão de montar acampamentos-base e campos de treinamento no país. A Somália chegou a ser apontada como o novo refúgio de Osama Bin Laden depois do Afeganistão.

"Imediatamente depois da guerra no Afeganistão, havia muito medo de que quadros importantes da Al-Qaeda fugissem para a Somália e se refugiassem ali", afirma Jason Burke, autor do livro Al-Qaeda: Casting a Shadow of Terror (Al-Qaeda: Lançando uma Sombra de Terror, em tradução livre).

No entanto, segundo Burke, isso não aconteceu, pelo menos até onde sabem os Estados Unidos.

Ainda assim, a preocupação de Washington com a Somália como novo porto seguro para terroristas cresceu outra vez depois de novembro de 2002, quando um outro ataque no estilo Al-Qaeda aconteceu no leste da África.

Foram dois ataques simultâneos perto de Mombasa, no Quênia.

"O ataque de Mombasa é muito obscuro. Pode ter havido algum apoio logístico de radicais dentro da Somália, mas seriam provavelmente muito poucos e não podem ser considerados representativos do país como um todo", afirma Burke.

No radar

Apesar de a Somália permanecer no topo das prioridades de Washington, Burke diz que não há provas de ligação entre o país e a Al-Qaeda.

"Não há tradição de militância islâmica radical do tipo que a Al-Qaeda normalmente se aproveita."

O ex-embaixador americano Dan Simpson diz que o país é potencialmente instável por não ter um governo central e deve estar no radar americano.

No entanto, comparada às ameaças representadas por outros países e áreas de conflito do mundo, a importância da Somália é relativamente baixa.

"Para o governo Bush, a situação no Afeganistão e no Iraque são prioridades muito maiores, e acho que elas também estão absorvendo todos os recursos que os Estados Unidos têm para esse tipo de problemas", explica Simpson.

"Os Estados Unidos têm hoje uma política coerente de tentar se relacionar com os vizinhos para se responsabilizar pela Somália."

Atualmente, são esses países da África Oriental que estão envolvidos nas negociações para tentar alcançar algum tipo de governo compartilhado entre as facções rivais da Somália.

No entanto, o sucesso está longe de ser alcançado, haja vista o fracasso das tentativas de reconciliação anteriores.

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