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Atualizado às: 03 de outubro, 2003 - 10h05 GMT (07h05 Brasília)
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Mianmar diz estar criando 'modelo democrático próprio'
A líder pró-democracia encarceirada Aung San Suu Kyi
A líder pró-democracia Aung San Suu Kyi está presa desde maio

O governo militar de Mianmar (a antiga Birmânia), na Ásia, afirmou estar em um "processo próprio" de articulação diretamente com os partidos políticos do país para restaurar a democracia.

O vice-ministro do Exterior do país, Khin Mong Win, disse à BBC que as autoridades estão em contato também com a líder pró-democracia encarcerada Aung San Suu Kyi.

Na quinta-feira, o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) a Mianmar, Razali Ismail, encerrou sua viagem de dois dias pelo país sem conseguir garantir a libertação dela ou mesmo quebrar o impasse entre o governo e a oposição.

No entanto, Mong Win disse que Razali não deixou o país de mãos vazias, já que a visita "mostrou a intenção de Mianmar de cooperar com a ONU".

"O processo que começou com o anúncio de um plano com sete etapas está sendo tocado", disse Mong Win nesta sexta-feira.

'Futuro'

"O plano é o futuro do país. É o caminho para o estabelecimento de uma sociedade democrática em nosso país. A nossa posição sempre foi a de que o processo tem que ser próprio."

"Apesar de não querermos menosprezar o papel de Razali, quero dizer que nós estamos em contato com todos os principais partidos", disse o líder.

Mong Win disse ainda que foi por causa deste contato das autoridades com Aung San Suu Kyi que o governo pôde ajudar quando ela precisou de tratamento médico no mês passado.

Sobre a libertação da líder, Mong Win disse ainda não ser a hora.

"Infelizmente, tivemos problemas no passado, por isso, quando a situação voltar ao normal, então poderemos pensar em libertá-la."

Razali passou três dias em Rangoon, em reuniões com o líder militar general Than Shwe. Ele também se encontrou com o primeiro-ministro Khin Nyunt e com Suu Kyi, que atualmente cumpre prisão domiciliar.

Ele foi o primeiro estrangeiro a se encontrar com ela desde a séria operação ginecológica que ela sofreu na semana passada.

Razali se disse desapontado com a falta de progresso e que queria conseguir mais detalhes e um cronograma para os planos de democracia anunciados pela junta militar de Mianmar em agosto, que poderiam ser a base para a reconciliação política.

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