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Atualizado às: 01 de outubro, 2003 - 14h45 GMT (11h45 Brasília)
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Intifada causa pesadelos e medo de sair à rua em crianças

Criança ferida na explosão de um ônibus em Jerusalém
Oito crianças estavam entre os 23 mortos na explosão de um ônibus em agosto

A israelense Shahar Medioni, de 14 anos, passa boa parte de seu tempo livre assistindo à televisão, seguindo os passos de seu jogador de futebol favorito, David Beckham.

Mas o futebol não é o único motivo que faz com que ela prefira não sair do apartamento onde mora com os pais e duas irmãs, em Jerusalém.

Sociável, como outros adolescentes, ela diz ter medo de sair de casa. "Tenho medo de que apareça um terrorista", diz.

Do outro lado, as reações entre as crianças e adolescentes palestinos são semelhantes.

Recreio

Na escola Samiha Khalil, em Ramallah (Cisjordânia), um grupo de garotas canta na hora do recreio.

Crianças palestinas têm medo da violência

As crianças parecem, à primeira vista, cheias de vida e felizes, mas não basta muito para que elas revelem seus problemas.

"Uma vez, tive um pesadelo em que soldados israelenses vinham à escola e condenavam todo mundo à morte. No dia seguinte, eu não quis vir à aula", conta Samr Bargouti, de 13 anos.

A poucas centenas de metros da escola onde ela estuda fica o assentamento judeu de Psagot.

Quase todos os alunos desta escola vivenciaram algum episódio de violência desde o começo da Intifada, há três anos.

Não é difícil encontrar marcas da violência na escola Samiha Khalil. Há buracos de bala nas salas de aula, resultado, segundo os professores, de tiros vindos do assentamento judeu.

A professora Tahani Lubani passa por postos de fiscalização do Exército israelense para buscar alunos em casa, numa viagem que leva duas horas todos os dias.

Mas ela diz que seus problemas não são nada, comparados aos de algumas das crianças.

"Alguns estudantes tiveram o pai ou o irmão preso ou morto. Tudo isso tem um impacto na capacidade de concentração dos alunos", diz.

'Roleta russa'

Em Jerusalém, a mãe de Shahar Medioni compara a situação a uma "roleta russa".

Ela foi criada em Jerusalém e, embora se recorde de bombardeios durante a infância, afirma que o atual momento é muito mais difícil para suas três filhas.

Algumas vezes, diz, quando a família sai, nota que as crianças ficam nervosamente agarradas a ela.

"Eu digo a elas para se acalmarem, mas depois penso: como elas podem se acalmar quando...", conta, antes de sua voz falhar.

Em agosto, oito crianças estavam entre os 23 mortos na explosão de um ônibus em Jerusalém.

O incidente ficou conhecido em Israel como "o ataque às crianças" e expôs o alto preço pago por crianças israelenses nos últimos três anos.

A Autoridade Palestina organizou um plano nacional de ação para os jovens afetados pelo conflito.

"Não estamos falando de incidentes traumáticos isolados. Estamos falando de um modo de vida no qual as crianças estão constantemente sob a ameaça de que algo ruim vai acontecer", diz a psicóloga Cairo Arafat.

Palestinos e israelenses temem pelo bem-estar psicológico de seus jovens, oprimidos pela sensação de que a situação só tende a piorar.

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