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Atualizado às: 27 de setembro, 2003 - 19h36 GMT (16h36 Brasília)
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Lula evita política em viagem a Cuba

Lula e Fidel em Havana
Lula e Fidel: negócios e discrição política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve o tom de intercâmbio comercial que tentou imprimir à viagem no segundo dia de sua visita a Cuba.

A única exceção foi um breve encontro com o cardeal Jaime Ortega, o mais importante líder da igreja em Cuba e um crítico da repressão do governo, e o bispo Céspedes.

Lula não recebeu, no entanto, dissidentes que queriam conversar com ele sobre a repressão em Cuba.

Lula falou brevemente no encerramento do Foro Empresarial Brasil-Cuba, que atraiu cerca de 50 empresários brasileiros à capital capital cubana. Antes, ele havia conversado com estudantes brasileiros no país, quando fez um relato sobre a política externa brasileira.

Política

A palavra política foi mencionada uma única vez pelo presidente Lula. Ao fim da conversa que teve com um grupo de 50 estudantes brasileiros em Cuba, o presidente se despediu e disse que ia falar aos empresários e depois “almoçar com o presidente Fidel Castro e falar um pouco de política”.

Fidel retribuiu se abstendo do discurso antiamericanista que os assessores do presidente brasileiro tanto temiam. Disse que o Brasil era um país muito grande, importante, com muitos recursos minerais, energia elétrica e uma indústria muito desenvolvida.

“Não há na América Latina nenhum outro setor empresarial tão forte como o empresariado brasileiro”, afirmou

Apesar de ter iniciado seu discurso dizendo que iria seguir “o bom exemplo de Lula” e falar pouco , Fidel não parou por 31 minutos, com longas explicações sobre processos produtivos e relatos sobre como Cuba superou os problemas de energia que teve nos últimos anos.

Ao lado de Fidel na mesa principal, Lula conseguiu se manter firme, mas na platéia vários ministros e assessores brasileiros chegaram a cochilar.

Fidel também elogiou o “excelente discurso do nosso irmão Lula lá nas Nações Unidas”. “Sobre o qual não direi uma palavra – para sorte de vocês”, brincou.

Acordos comerciais

“Os empresários brasileiros não devem ter medo de se tornar internacionais”, afirmou Lula.

Vários acordos comerciais foram assinados No total, eles somam US$ 200 milhões, uma parte com financiamento já aprovado pelo BNDES, outra por recursos privados de empresas brasileiras ou financiadores externos.

A maior parte desses investimentos – US$ 112 milhões - vem da parceria do Grupo Brasilinvest e da construtora Casa Forma com uma empresa do governo cubano para a construção de quatro resorts no país.

Também foram assinados acordos para investimento de R$ 20 milhões na reestruturação de um engenho de açúcar cubano para a produção de álcool combustíveil, com equipamento e tecnologia brasileiros, e para a instalação no Amazonas de duas fábricas cubanas para a produção de medicamentos e larvicidas.

Críticas

No encontro com as autoridades da igreja católica, Lula ouviu um relato sobre as dificuldades que eles têm para exercer suas funções em Cuba, mas não fez comentários.

Lula recebeu também Maria Gilza Hilel dos Santos, mãe de Paulo Hilel, brasileiro que mora nos Estados Unidos há 20 anos, tem cidadania americana, e está preso em Cuba há nove meses acusado de intermediar a imigração ilegal de um grupo de brasileiros de Governador Valadares para os Estados Unidos, via Cuba.

Maria Gilza chegou a Havana na terça-feira, ameaçou fazer um escândalo se não fosse recebida pelo presidente, e foi contida pelos diplomatas da embaixada, que prometeram tentar um encontro com Lula.

Ela diz que o filho é inocente e quer que o governo brasileiro pressione o governo cubano para que o julgamento seja marcado rapidamente.

Lula quase chorou no encontro com os estudantes brasileiros, muitos deles em Cuba não apenas pela qualidade técnica de algumas escolas, mas também por razões ideológicas. A bailarina pernambucana Nani Alves, aluna da Escola Superior de Artes, se emocionou e levou o presidente e vários ministros perto das lágrimas na leitura de uma carta em nome dos estudantes brasileiros.

Ela falou do orgulho de ter Lula na presidência, e que eles gostariam de poder contribuir com o país quando voltarem ao Brasil. Eles tambem pediram que o Brasil mude as leis para o reconhecimento dos diplomas cubanos no Brasil.

Dos cerca de 600 estudantes brasileiros em Cuba, mais de 200 estudam Medicina, uma área na qual o país tem uma competência reconhecida internacionamente mas os diplomas não são reconhecidos pelo Brasil.

No jantar de sexta-feira, Lula fez um brinde a Fidel e lembrou que quando Fidel foi ao Brasil para a posse do presidente Fernando Collor, também foi visitá-lo em São Bernardo.

Lula foi o portador de um presente da Fiat para Fidel: um carro movido a gasolina e álcool, para promover os planos da empresa de exportar esse tipo de carro para o país, a partir do Brasil.

Fidel fez uma piadinha. Disse que se o presente fosse para seus amigos russo, eles beberiam todo o combustível, numa referência à fama dos russos de bons bebedores.

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