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Atualizado às: 23 de setembro, 2003 - 11h27 GMT (08h27 Brasília)
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Saiba o que é responsabilidade social de empresas

Judi Cavalcante, diretor-executivo adjunto do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas, o Gife
Cavalcante: investimento em ações sociais não pode ser visto como algo à parte

Há uma palavra repetida por todos os que se propõem a definir o que é responsabilidade social de empresas: stakeholders, assim mesmo em inglês, usada para abranger o conjunto formado por acionistas, empregados, comunidade e meio ambiente. É para eles que se voltam as ações de responsabilidade social das empresas.

O ponto de partida, dizem os especialistas, é marcar a diferença para a filantropia.

“Filantropia é um elemento importante da atuação social da empresa, mas é apenas isso, um elemento que faz parte de algo muito maior. É como comparar o motor do automóvel com o automóvel”, diz Felipe Cajiga, diretor de responsabilidade social do Centro Mexicano de Filantropia (Cemefi), uma ONG que, apesar do nome, não se dedica apenas à caridade.

Assim, a responsabilidade social abrange não apenas ações sociais desenvolvidas pelas empresas, mas a forma como elas tratam seus empregados, a transparência com que se revela para seus acionistas e as políticas que desenvolve para não agredir o meio ambiente.

Aperfeiçoamento

“É a forma como a empresa lida com seus públicos. Se a empresa tem um programa de aperfeiçoamento da qualidade da relação com seus diversos públicos e planeja essa ação, incorpora isso como um método de gestão, ela é uma empresa comprometida com a responsabilidade social”, afirma Paulo Itacarambi, diretor-executivo do Instituto Ethos.

“Na responsabilidade social, o negócio da empresa é gerido de uma outra forma, de maneira que a riqueza não seja produzida apenas para o acionista. A riqueza é produzida criando valor para todos os públicos com os quais a empresa se relaciona, e ela faz a sua produção de riqueza buscando a sustentabilidade ambiental”, acrescenta.

Segundo dados do Ipea, R$ 4,7 bilhões foram destinados à responsabilidade social em 2000, conforme as estatísticas mais recentes. Isso equivale a 0,43% do PIB brasileiro.

De acordo com Cajiga, a empresa deve ouvir as expectativas da comunidade sobre ela e ir além de suas obrigações nessas quatro áreas. Apenas desenvolver projetos sociais não é suficiente, segundo ele.

“A responsabilidade social tem duas dimensões, uma externa e outra interna. Se a responsabilidade social, como infelizmente acontece em muitos casos, for praticada somente das portas para fora da empresa, vai haver uma grande contradição e uma falta de sustentação.”

“Em primeiro lugar, a empresa tem que praticar a responsabilidade social com seus empregados. E depois, praticá-la diante da sociedade, dos clientes e do governo”, diz.

Judi Cavalcante, diretor-executivo adjunto do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), afirma que desenvolver projetos sociais não é fundamental.

“É aceitável que uma empresa se preocupe com todos os outros itens da responsabilidade social, como cuidados com o meio ambiente e benefícios aos seus funcionários, e não faça investimentos sociais. O problema, para ela, é que não repercute na mídia”, afirma.

Conselhos

O Gife é a instituição à qual as empresas recorrem para se orientar na hora em que decidem fazer projetos sociais.

Cavalcante explica quais são os conselhos que ele dá às empresas que querem investir em projetos sociais.

“Primeiro as empresas têm que saber o que pretendem quando ingressam na área social. Não podem de forma alguma dissociar esse investimento de sua estratégia de gestão e têm que entender claramente que a operação na área social é diferente da operação que têm no mercado. A estratégia é a mesma, o controle do investimento é o mesmo, mas a operação é diferente.”

Ele afirma que, se o investimento nessa área for visto como uma coisa à parte, corre o risco de acabar ao primeiro tropeço econômico.

E Cavalcante dá o passo a passo: o investimento tem que ser voluntário; sistemático (ou seja, a empresa tem que se preocupar com começo, meio e fim); planejado e, por último, alvo de constantes avaliações internas, para se saber o que deu errado e o que deu certo.

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