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Empresas pequenas investem sem aproveitar incentivos fiscais
Com R$ 25 mil por ano, a ATF Estruturas Metálicas, uma pequena empresa de Timóteo, no interior de Minas Gerais, desenvolve projetos tão diversos quanto pagar o estudo de funcionários, patrocinar aula de circo para crianças dos bairros pobres vizinhos e reflorestar áreas desmatadas. A empresa tem faturamento de R$ 4 milhões por ano e emprega 70 funcionários. Seu proprietário, Anízio Tavares Filho, diz que nunca tinha ouvido falar em responsabilidade social até ser informado pelo Sebrae de que seus projetos se encaixavam nessa área, há três anos. Como boa parte das empresas ouvidas na pesquisa Iniciativa privada e o espírito público - Ação Social das Empresas Privadas no Brasil, feita pelo Ipea, a ATF não usa incentivos fiscais para abater despesas com responsabilidade social. “Se a gente pode contribuir, a gente vai contribuir. E estamos contribuindo com pessoas que colaboram com o progresso da empresa. Nós vemos por aí entidades pedindo um auxílio que a gente não sabe para onde vai. No nosso projeto social, estamos vendo o fruto do que estamos plantando”, diz Tavares Filho. Deficientes físicos Ele explica que isso faz parte do Projeto ATF 2000, que estabeleceu metas de crescimento para a empresa. Entre suas decisões, está a de contratar deficientes físicos em número equivalente a 5% do total de funcionários. E por que dar aulas de circo para crianças? “A atividade circense aumenta a habilidade e a concentração. E não deixa as crianças ficarem por aí, pela ruas”, afirma. Renan Augusto de Almeida, de 14 anos, é uma das crianças que freqüentam essas aulas. O pai é dono de um pequeno circo. Ele sonha em ser famoso. “Quero ter um futuro como o de meu pai. Aprendi a fazer malabarismo, cuspir fogo, perna de pau. Tenho sido chamado a fazer alguns eventos”, diz. Outro projeto da empresa é o Educar. Emerson Bernardo, de 19 anos, que começou a trabalhar na ATF como auxiliar de serviços gerais, está no quarto período de Administração de Empresas, com os estudos pagos pela empresa. Sua mãe é empregada doméstica, e o pai é servidor público. Ele também pensa em ajudar outras pessoas, assim que puder. “Com certeza, porque esse é um projeto que é espelho. A gente quer passar para frente.” Bolsas de estudo Outra empresa pequena, a Zanzini Móveis, de Dois Córregos, no interior de São Paulo, também paga os estudos de funcionários, além de se dedicar a projetos sociais para a comunidade, de educação a saúde, passando por alimentação.
Gentil Guerra Júnior, de 18 anos, auxiliar de produção, está na escola e faz planos para ser engenheiro-mecânico. Ele afirma que os dois lados se beneficiam. “Para mim, é bom por causa da ajuda que me dão. Para eles, pelo nome da empresa, porque os produtos vão ser melhores e vão vender mais.” A fábrica de móveis investiu R$ 90 mil em ações sociais em 2002. Denise Zanzini Torrano, diretora de qualidade da Zanzini, mede de duas maneiras as vantagens de investir em ações sociais. “Primeiro, o meu íntimo fica em paz com Deus. Depois, estou dando uma satisfação ao colaborador. Então, ele trabalha satisfeito. Mas eu não faço isso apenas para que ele trabalhe satisfeito. Eu quero que ele seja feliz. Se não, você está dando para receber”, diz ela, que assim como Anísio Tavares Filho, da ATF Estruturas Metálicas, chama seus funcionários de colaboradores. Ela afirma que nenhuma de suas iniciativas é paternalista. “O paternalismo protege e camufla os problemas.” O maior projeto da Zanzini se chama Reciclo, um programa de reciclagem desenvolvido em três escolas da cidade. Os alunos são motivados a reciclar material, e a turma que recolhe mais ganha uma bicicleta. O material coletado é prensado e vendido pela Zanzini. Parte desse dinheiro é usado para pagar as bolsas de estudos dos funcionários. |
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